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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Indicados ao Oscar: Review A Garota Dinamarquesa



          A Garota Dinamarquesa é um filme baseado no romance do autor Ebershof e foi inspirado no diário da personagem transexual Lili. O filme é a cinebiografia de Lili Elbe que nasceu como Einar Wegener e foi uma das primeiras pessoas a realizar a cirurgia de mudança de sexo. Nesse filme vemos o quão doloroso é a fase da transição e aceitação por parte da sociedade, dos entes queridos e da própria pessoa.
O filme se passa nos anos 20 e esse foi um dos primeiros casos transexuais, na época vemos a reação espantosa por parte das pessoas e ao pararmos para analisar vemos que todo esse espanto e preconceito ainda é muito atual, mesmo tendo se passado tantos anos e mesmo o mundo tendo mudado tanto.
          Muitas pessoas criticaram o livro e o filme pois dizem que ele não é fiel ao diário escrito por Lili Elber. Eles omitiram muitas coisas, principalmente quanto a sexualidade de Gerda que era esposa de Einar, dizem que ela era lésbica ou ao menos bissexual, o que é um pouco visível no filme, mas em nenhum momento se afirma nada. Criticaram também a relação das duas, dizendo que não era tão romântica e eterna da forma que é retratada no filme. É claro que Hollywood tinha que exagerar na “história de amor” das duas.

A relação de Lili e Gerda pode até não ter sido como é retratado no filme, mas é um dos pontos fortes da trama. A amizade, o amor e o respeito são tão grandes que emociona. Mesmo Gerda apoiando a escolha do marido podemos perceber que não há uma aceitação por completo. A esperança de que aquilo seja apenas uma fase ou um jogo (como era no começo) está sempre ali no olhar da personagem. Ela ama seu marido e se arrepende de ter incentivado a libertação de Lili. Quando ela começa a surgir e Einar vai perdendo o espaço somos levados a acreditar que foi a esposa que incentivou aquele comportamento. O pedido para vestir as roupas para que ela pudesse terminar seus quadros (ambos eram pintores) começou a liberar alguém que a muito tempo se mantinha escondida, mas nunca tinha sido revelada. Depois fica comprovado que ele não mudou por influência de Gerda pois ele sempre foi Ela.


          Eddie Redmayne está concorrendo ao Oscar pelo filme e se não tivesse o Leonardo Dicaprio na parada aposto que ele levaria seu segundo Oscar consecutivo. Ele está tão delicado e tão bem no papel. Não consigo ver mais nenhum ator de Hollywood fazendo esse papel. Ninguém poderia captar a sensibilidade da alma de Lili como ele captou. É claro que seus traços femininos ajudaram bastante. Seu rosto fino, sua pele perfeita para maquiagem, os lábios, o corpo esguio e a forma como anda e fala é propriamente de uma mulher. Só um ator como ele, com todos seus atributos poderia interpretar com tamanha sensatez. Seu laboratório foi bem aprofundado, mostra-se uma observação total dos trejeitos femininos. Alicia Vikander quase rouba a cena na pele da Esposa Gerda Wegener. Ela vem provando que é uma ótima atriz e uma grande revelação. Nesse, assim como em Ex machina ela está maravilhosa. Sempre com uma atuação sutil, apesar das explosões da personagem algumas vezes. Ela é claramente o homem da relação, desde o começo, ela que rege o lar e é uma esposa dedicada e que ama o marido apesar de tudo. Mesmo quando ele não queria, ela estava lá por ele e o filme a torna praticamente uma santa pois qual mulher nesse mundo aceitaria essa condição do marido sem raiva e rancor? E que ficaria ao lado dele mesmo após a cirurgia de mudança de sexo? Isso prova que acima de tudo ela era a melhor amiga e companheira dele. Coisa que muitas mulheres não são. Ambos tiveram sorte de ter um ao outro (posteriormente uma a outra) pois o amor era mutuo. Os sentimentos de Egnar por ela não diminuíram após virar Lili. Elas foram feitas uma para outra, independente do rumo de suas vidas.
          Com direção do diretor britânico Tom Hooper que fez o subestimado O discurso do Rei, The Danish Girl tem boas atuações (pena que Amber Heard esteja tão apagada) e um roteiro linear, nada de excepcional, você começa a assistir e já sabe a trajetória só não sabe como acontecerá. É um tema bastante delicado e que ainda carece de informações. Foi muito difícil escrever sobre esse filme pois apesar de ser algo atual e bastante debatido ainda fico na defensiva ao escrever sobre algo que não conheço tão bem, estamos menos familiarizados do que achamos. O filme me lembrou bastante do caso Caitlyn Jenner (que era Bruce Jenner e marido da Kris, matriarca das Kardashians) lembro que quando ele se assumiu uma mulher eu fiquei bastante confusa. De primeira achei que fosse marketing (ainda tenho minhas desconfianças) e não entendia como um homem de certa idade, com esposa e filhos pudesse se transformar assim de uma hora para outra. Lembro da reação da Kris e vi seu desapontamento e tristeza, tão real e diferente da relação perfeita e idealizada de A Garota Dinamarquesa. Porém é algo que te toca e o final é lindo e cheio de metáforas. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Indicados ao Oscar: A Teoria de tudo


     Há filmes que nos conquistam pelo trailer, demora para descobrir se o trailer fará jus ao que assistiremos ou não, e esse é um que me conquistou a primeira vista. Assim que foi lançado o trailer soube que o filme entraria no circuito das premiações, o foco no romance entre Stephen e Jane poderia atrapalhar um pouco, mas em alguns minutos já dava para saber que ele entraria justamente pela atuação de Eddie redmayne. Mas esse não é um review sobre o trailer de A teoria de tudo e sim sobre o filme que cobriu toda e qualquer expectativa que eu estava sobre ele. Talvez muitos não se interessem em ir ao cinema conhecer a vida, o casamento e a genialidade de Stephen Hawking, Isso porque nem todos o conhecem. Um cientista renomado e brilhante que contribuiu e continua contribuindo para a ciência e que apesar de ter participado de series como Star Trek: The Next Generation, os Simpsons, Futurama, dentre outras e recentemente em The big bang theory fazendo o tão confiante Sheldon Cooper tremer das pernas ele não é necessariamente uma celebridade e o publico prefere conhecer a biografia de cantores, atores, diretores e pessoas super famosas. É uma pena, pois filmes belíssimos como esse acabam passando despercebidos.
     O filme é a biografia do astrofísico Stephen Hawking e mostra suas conquistas profissionais revelando como ele realmente é a maior mente da atualidade, ele trabalhou bastante inicialmente nos estudos do universo em sua carreira como cosmólogo (uma profissão que conheci melhor através do filme e me despertou muito interesse, mas não para seguir carreira, pois a minha mente é de humanas)
     E também retratou o romance com sua primeira esposa Jane Wide, que ficou ao lado dele após a descoberta de sua doença degenerativa e em todas as suas fases de detrimento. 
     O filme é muito mais do que a narração da historia intelectual de Hawking, sua prioridade é o romance dos protagonistas, tanto que o filme parte do ponto onde Stephen e Jane se conhecem e como ele não conseguiu afasta-la após a descoberta da doença, há este ponto ela já o amava. O problema é que ela abriu mão de sua vida e sua carreira para cuidar dele e de seus três filhos (o terceiro nasceu quando o cientista estava totalmente atrofiado, mostrando que não há desculpas para determinados momentos rs) Felicity Jones da vida a uma Jane dedicada mas não delicada. Ela era firme com o marido e não sentia pena dele e isso foi essencial para que ele prosseguisse com a vida, Felicity foi uma ótima escolha para o papel, não vacilou em nenhum momento e se saiu bem no papel de uma mulher forte e determinada, tanto que concorreu ao Globo de ouro, mas tinha candidatas melhores a sua frente, ao contrario do ator que fez Hawking, sua atuação foi excelente, encarnou por completo Stephen, graças a seus longos meses de laboratório e estudos sobre o astrofísico. Ele era páreo-duro e naquela categoria só podia dar ele, tanto que ganhou o Globo de ouro como melhor ator. Eddie Redmayne ganhou o papel de sua vida, até o momento Hollywood não dava muita bola para ele e ele mostrou que consegue lidar com a responsabilidade de um papel de peso como esse. Alem do premio como melhor ator de Drama, o filme também ganhou na categoria “Melhor trilha sonora original”


      A química entre os atores consegue ultrapassar qualquer barreira de espaço/tempo/ elétron, prótons e nêutrons (um é negativo, outro positivo e o outro é bem... neutro e é só isso que eu absorvi de química no ensino médio) e religião também, pois ele é ateu e ela cristã, deve haver muito respeito e amor para que uma relação desse tipo dê certo. Mesmo que Jane já dava na vista de que estava cansada da incredulidade do marido. Os dois britânicos se saíram impecáveis juntos.
     A teoria de tudo é o tipo de filme que se destaca em meio aos demais indicados nessa temporada de premiações. Porque se você não curte os dramalhões, os filmes cheios de politicagem, e os artísticos demais esse é uma boa pedida. Pois apesar de ser um Drama ele é gostoso de assistir, você não chora rios, mas se emociona e se sente otimista e agradecido. Você consegue rir porque o próprio personagem ri e faz piada com si próprio, seu senso de humor é bem afiado e ele entende sua situação e da sua esposa e aceita a vida como ela é. Ele é muito mais do que um drama romântico, é praticamente uma lição de vida, de amor e de cosmologia. Não é maçante e nem por um segundo é tedioso, o único erro foi não ter se aprofundado em varias questões, eles mal casam e já nasce um filho, (a passagem de tempo é rápida demais) e as questões financeiras também não são explicadas, ele dizia que não tinha dinheiro para contratar uma enfermeira, mas tinha para comprar uma cadeira motorizada e um computador com sistema de voz que falava por ele. Contudo é um ótimo filme, que nos faz ficar estáticos após seu termino e nos faz pensar na vida e sermos gratos. Sinto-me grata por ter saúde e por fazer coisas simples como pegar uma caneta que cai no chão e me sinto feliz por filmes como este existirem.