quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Review Livro O Diário de Anne Frank


          O Diário de Anne Frank é provavelmente um dos livros mais lidos da história, mesmo tendo sido lançado em 25 de Junho de 1947, ainda hoje é muito popular e leitura obrigatória, goste de literatura clássica ou não, até porque as pessoas o leem por espontânea vontade, graças a grande mensagem dessa grande pequena menina que passou tempos difíceis em confinamento e mesmo assim tinha esperança na humanidade.
          Annelies Marie Frank foi uma menina judia que escreveu seu diário entre 12 de Junho de 1942 e 1° de agosto de 1944, durante a 2° Guerra mundial e a perseguição aos Judeus, ela relatava a convivência com as pessoas que moravam naquele anexo e os pesares que elas passaram.
             Esse é um livro que tem varias edições, desde as mais chiques no formato de um verdadeiro diário até as edições mais simples, de bolso e etc... Como a minha, também há uma versão em quadrinhos recentemente lançada. São muitas as formas de propagar os relatos dessa menina que foi tão inteligente, independente, falante, bem humorada e esperançosa, mesmo não tendo motivos para isso.
             Anne levava uma vida normal com sua família, seu pai era um banqueiro, sua mãe uma dona de casa e ela tinha uma irmã mais velha que era o modelo de perfeição, quem diria que Anne, que é vista como um ícone literário poderia ser a ovelha negra da família. Ela era uma menina muito honesta, que não pisava em ovos para expor suas insatisfações, dizia o que queria para quem fosse, era vista como uma menina petulante e respondona, quando na verdade, ela era uma menina de pensamento próprio, ela não ia pelas ideias dos outros, ela tinha opinião própria e essa é uma das características mais interessantes dela. 


          Através de seu diário conhecemos seus pontos positivos e negativos, Kitty como ela chamava seu diário era uma espécie de confessionário onde ela contava coisas que não contaria para ninguém. Ela se sentia muito sozinha e mesmo antes do anexo ela se sentia assim, por isso seu diário era seu passaporte de liberdade, Já que ela não aguentava mais viver enclausurada naquele pequeno anexo.
          Além dela e sua família, ainda viviam mais quatro pessoas com eles, uma delas é Peter, que quando chegou não fazia a menor diferença para Anne, mas depois foi se tornando um grande amigo, sua companhia fez muito bem a ela em seus últimos dias, já que a convivência com os próprios pais estava insuportável.
          Anne amava e admirava muito o seu pai, não era muito amiga de sua irmã, mas tinham bons momentos, porém, é estranho ver como ela não tinha nenhum vinculo e nem carinho com a sua mãe, as ideias de ambas eram muito conflitantes e elas sempre estavam discutindo, há trechos onde ela diz que tem raiva dela, e que não sabe como o pai pode se casar com ela, ou pior, que ela conseguiria lidar bem com a morte dela (já a do pai é inconcebível). A vida da menina fora do anexo é contada muito brevemente, pois ela ganhou o diário e pouco depois sua família teve que fugir, por isso não se sabe muito bem se o irritamento com a mãe vem de antes, ou por conta do confinamento, de qualquer forma essa é uma das coisas que a torna tão real e humana.
          A situação daquelas pessoas no esconderijo foi se deteriorando, no começo ainda havia bastante comida, os que os ajudavam, que antes trabalhavam com o pai de Anne, conseguiam prover muita coisa, comida, objetos, roupas e etc... Mas aos poucos tudo foi ficando mais difícil de conseguir, e o medo da descoberta era muito grande. Eles viviam de janelas fechadas (obviamente) e não podiam falar alto, pisar forte, fazer qualquer barulho, sequer tossir. Para fazer qualquer coisa era muito difícil. 


          E através desse livro vemos os horrores da guerra sendo contados diretamente pelos que sofriam, eles não entendiam porque tanto ódio aos judeus, Anne dizia que Hitler tinha tirado a nacionalidades deles e que alemães e judeus eram os maiores inimigos na face da terra. O medo de serem capturados era constante. Para passar o tempos eles liam e estudavam muito. Ouviam radio bem baixinho algumas vezes também. Era um dos poucos privilégios que tinham.
           Por causa da idade Anne estava começando a ter seus primeiros desejos sexuais, ela queria beijar alguém e conhecer seu corpo, certa vez quis que uma amiga tocasse seus seios e ela os da amiga, mas isso não aconteceu. Ela estava começando a descobrir as coisas e esse foi um dos motivos pelos quais o pai (e único sobrevivente) não queria que publicassem seu diário, o outro era o sentimento contraditório que ela tinha pela mãe.
        Outra particularidade da garota é que ela não tinha o pensamento das mulheres da época, ela não queria ser apenas uma dona de casa e se dedicar só ao marido e aos filhos, ela queria muito mais, queria ser jornalista, escritora, queria viajar o mundo e tinha varias ideias que se aproximavam do feminismo. Ela não entendia por que as mulheres eram vistas como inferiores aos homens (isso é algo que ainda estamos tentando entender Anne) ela acreditava que a educação e o trabalho era um progresso para as mulheres. Ela clamava por independência, respeito e justiça. Seus ideais eram fantásticos para uma menina daquela época e de tão pouca idade. A única coisa triste é saber que ela não viveu essas coisas, que ela não tomou posse dessa liberdade, que ela começou a escrever um livro que nunca terminou e nunca seria publicado.
         Apesar de muitos acharem que Anne era otimista todo tempo, ela pensou em morrer algumas vezes e tomava remédio para depressão e ansiedade, quando falava de morte ela dizia que queria ser cremada, mas não foi, morreu e foi jogada em uma vala, ao lado de vários judeus inocentes que não haviam feito nada.
          Anne tinha seus defeitos, ela não é a menina perfeita que muitos idealizam, mas foi uma criatura notável e extraordinária. Através de suas palavras conhecemos de perto um trecho da história mundial, os ideais revolucionários dela, sua inteligência, sagacidade, sarcasmo e claro seu otimismo apesar de todas as coisas ruins que eles viveram. Meu sentimento ao terminar essa leitura foi de que a vida é injusta, Anne Frank merecia ter tido um final feliz, em um universo alternativo eu a imagino como uma ativista social que viajou o mundo inteiro, que lançou vários livros e mesmo hoje aos seus 88 anos de idade conta como ela sobreviveu à guerra e viveu tudo que queria. Eu te amo Anne Frank e um dia espero visitar seu esconderijo na bela Amsterdã.

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