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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Review Livro e filme Extraordinário


          Ser gentil com as pessoas talvez não seja uma tarefa tão fácil assim. Ser gentil com seus familiares e amigos é moleza, mas e quando temos que ser bons com aqueles que nos fazem mal? Essa é a parte complicada. E essa é a mensagem quase bíblica que o livro e filme tentam passar, e que de uma forma bem simples e bonita consegue com sucesso.
            Extraordinário é a adaptação de um livro da autora R J Palacio que fez muito sucesso quando foi lançado em 2012. Ele conta a história de August Pullman, que tem o apelido de Auggie e que nasceu com uma síndrome genética que causou deformidade em seu rosto, por isso e pelas diversas cirurgias que precisou fazer, ele sempre estudou com a mãe, mas agora vai enfrentar a escola e o bullying de alguns colegas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Indicados ao Oscar: Review O Quarto de Jack


          Adaptado do livro da escritora Emma Donoghue, O Quarto de Jack trás uma historia muito sensível e triste, mesmo que o filme nos proporcione alguns momentos de felicidade. O filme é dirigido por Lenny Abrahamson que teve êxito antes no filme indie Frank. Os dois filmes é a prova de que o diretor mesmo dirigindo filmes pequenos e que possam parecer invisíveis ao publico acaba conquistando uma audiência que só aumenta. Seus filmes vão crescendo em notoriedade por conta do boca a boca das pessoas que os assistem. Sua atenção aos detalhes e a mensagem que pretende ser passada também é primordial.
Considerado pelo publico como melhor filme no festival de Toronto ano passado, Room é sobre Joy, uma jovem que foi sequestrada quando tinha 17 anos e mantida em cativeiro desde então, lá ela vive com seu filho Jack e quando o menino faz 5 anos eles planejam escapar.
        O filme é narrado pelo menino Jack e por isso a narração é tão ingênua, mas ao mesmo tempo esperançosa e bonita. O capricho usado na fotografia e na trilha sonora cativa o expectador. Mesmo que o filme se passe a maior parte do tempo em um quarto muita coisa dá para se extrair dele. A maneira como o menino enxerga o “mundo” em que vive e como ele valoriza cada coisa que ele tem é bastante tocante. Como ele cumprimenta todas as coisas do quarto quando ele acorda (no final esse comprimento rende muitas lagrimas) e como ele gosta de estar na companhia da mãe e isso mesmo após eles serem libertados. Não é spoiler nenhum contar que isso acontece, o trailer já entrega eles na companhia de outras pessoas. Joy ,que é chamada de mãe boa parte do filme, (o menino nem sabe o nome da própria mãe pois ela esconde que há um outro mundo do outro lado das paredes) parece ter desistido de tentar imaginar uma vida lá fora, por isso no primeiro ato do filme ela conta varias mentiras para que o menino venha aceitar que aquilo é tudo que eles tem, após contar a verdade o menino não se sente confortável e parece não querer aquilo pois destoa de tudo que ele conhece e acredita ser real.

A fase de descoberta da criança é umas das melhores coisas retratadas no filme. Mesmo dentro do Room quando ele vai perguntando a mãe se as coisas na TV são reais ou não e mesmo quando já estão libertos ele continua a conhecer todas as coisas que antes pareciam tão imaginativas para ele. Aos poucos o menino vai se adaptando (crianças são assim...) as coisas só são mais complicadas para Joy (...adultos nem tanto) ela percebe que tudo está diferente, que as pessoas seguiram em frente, as coisas mudaram, as pessoas a sua volta se casaram, se separaram, conquistaram coisas e ela permaneceu a mesma. E isso é algo difícil de lidar.


         Além das qualidades técnicas o mérito do filme fica a cargo das atuações. Brie Larson (Anjos da Lei) está impecável como a mãe, tanto que ganhou o Globo de ouro e o Critics choice como melhor atriz e provavelmente ganhará o Oscar, minha torcida é toda e completamente dela, ela merece muito por esse papel, são duas joy’s na competição, mas essa merece muito mais. (JLaw já ganhou, melhor passar a vez) é difícil acreditar que Brie, a dona dessa excelente atuação nunca tinha feito algo semelhante. Seus papeis foram todos em filmes de comédia e nenhum deles foi memorável, mesmo que ela tenha se saído bem. Não vejo que o drama é seu forte, acredito que ela faça bem qualquer gênero. Jacob Tremplay (que é a coisa mais fofa e preciosa desse mundo) é Jack e também está ótimo no papel, todas suas emoções são verdadeiras e sua expressão em cada uma delas parece trabalho de adulto, tanto que ganhou o Critics na categoria de melhor ator jovem. Ele quase entrou para os indicados como melhor ator no Globo e no Oscar, mas infelizmente não aconteceu. O Instagram do menino é uma fofura, fã declarado de Star Wars e do Johnny Depp, ele posta muitas coisas legais. William h Marcy (Jurassic Park) e Joan Allen (Diário de uma paixão) também estão muito bem como os pais de Joy, principalmente Joan que está ótima principalmente como a vó do menino, que o aceita e o ama.
      O Quarto de Jack é um filme que mexe muito com a sensibilidade das pessoas. Diferente da série da Kimmy Shmidt que aborda o tema do cativeiro com bastante bom humor e sem nenhum dano aos personagens, nesse filme vemos o sofrimento das pessoas que passam por isso. Eu realmente não sei como a personagem não enlouqueceu, acho que seu filho foi o motivo dela não ter desistido de viver definitivamente e quando é questionado seu papel como uma boa mãe que deveria ter aberto mão dele quando ele nasceu ela desaba. Ela é uma das melhores mães já retratadas no cinema. Apesar de seu filho ser fruto de um estupro ela o ama tão imensamente e tem tanto zelo por ele que rende cenas de nos levar as lagrimas (eu particularmente chorei horrores) e o filme faz questão de mostrar o lado dos familiares também, como o avô que não aceitou o neto. O mais triste é saber que o que é retratado no filme acontece muito. Mulheres perdem suas vidas confinadas, onde às vezes os que as mantém refém é o próprio pai ou algum familiar. O que não é o caso do filme, pois ela foi confinada por um cara estranho que pediu a ajuda dela na rua. O que nos faz questionar se as pessoas são merecedoras da nossa bondade. O filme me tocou de tal forma que cheguei a ficar “depre” depois dele e pensando nessas coisas. Eu adoro filme assim que nos fazem se questionar coisas. Até onde devemos ir ao amor ao próximo? E como hoje em dia se perdeu a proximidade e a conexão entre mãe e filho(a). Talvez você fique um pouco triste, mas vale cada minuto do seu dia, assista pois no final o misto de tristeza com alegria valerá muito a pena.