domingo, 15 de fevereiro de 2015

Indicados ao Oscar: Birdman

      


      Birdman é um filme sobre um ator que vive a sombra de seu sucesso e popularidade do passado, quando interpretou um icônico super herói (o Birdman do titulo) qualquer semelhança não é mera coincidência. E essa é apenas uma breve sinopse, as tamanhas similaridades com a vida e a carreira de Michael Keaton não param por ai. Porem se engana quem pensa que o filme é apenas uma biografia não autorizada e superficial da vida do ator. Ele é muito mais que isso. Frustrado, o personagem de Keaton acaba atuando, dirigindo e roteirizando um texto para a Brodway e por isso com o desenrolar da trama você até esquece o primeiro aspecto que todos estão enfatizando e acaba embarcando em algo totalmente alucinatório e fantástico. A começar pelas primorosas atuações. A cena em que Riggan Thomson (Michael Keaton) e Mike shiner (Edward Norton) ensaiam pela primeira vez é de aplaudir de pé, Mike já tem o texto todo decorado e se mostra bastante competente, um peixe grande, nas palavras do próprio Riggan. Ele foi contratado após o ator anterior ter se machucado em cena (por culpa do protagonista, mesmo que indiretamente) para o desespero do próprio que fica sem seu coadjuvante mas também para seu alivio pois ele o considerava um péssimo ator. Mike é ótimo porem egocêntrico e cheio de estrelismos como muitos no meio artístico. Logo, logo o protagonista já se sente arrependido pela contratação e ameaçado, pois alem do seu temperamento ele é jovem, bonito e popular. Tudo que um dia Thomson já foi. Michael Keaton e Edward Norton estão em suas melhores atuações. Michael volta a ativa com um personagem que serve como sua carapuça, no filme ele expõe suas inseguranças, seus medos e suas discordâncias com o mundo midiático que comete muitas injustiças com atores ultrapassados, a frase que virou quase um bordão do filme “A popularidade é o primo pobre do prestigio” é certa, você pode até ser educado, inteligente, ter uma estabilidade, mas seu primo gordo e engraçado sempre vai roubar a cena. (já que estamos falando de família rs) Popularidade é tudo, principalmente no mundo das celebridades, você pode ser um baita ator, mas não terá retorno se viver enclausurado em uma mansão lendo Shakespeare e ouvindo bach, você precisa ser notado, as pessoas precisam saber de você, só assim elas irão comprar os ingressos para o cinema, teatro, shows e etc... No filme fica implícito isso com o pensamento melancólico de Riggan ao dizer: “você sabia que Michael Jackson e Farrah fawcett morreram exatamente no mesmo dia?” ele quer dizer que apesar de Farrah ter sido uma bela e talentosa atriz que marcou época vivendo uma das panteras na serie de TV, sua morte foi totalmente ofuscada pela morte do eterno rei do pop que foi e sempre será uma das maiores celebridades do mundo. De forma alguma o desmereço pois sou grande fã. Anteriormente ele refletia sobre certa vez que ele estava no mesmo avião que George Clooney e durante uma tempestade horrível pensou: “Na manhã seguinte quando Sam viu o jornal, o rosto do George Clooney estava na capa, não o meu, entende?” na mesma hora lembrei-me do show Hiperativo do ator e comediante brasileiro Paulo Gustavo onde ele falou que certa vez estava em um avião repleto de celebridades brasileiras e passando por uma turbulência ele logo pensou nas manchetes, iriam noticiar: morreu fulano, fulano, fulano e outros (e ele estaria nessa) nas palavras dele é engraçado mas a abordagem no filme é pesarosa e é uma triste evidencia da comercialização da imagem.           Birdman é uma critica construtiva desse meio, e as criticas são feitas por cada ator de maneira subliminar (ou não né) como a filha de thomson vivida por Emma Stone, ela é um personagem clichê dentro da obra, é uma filha de ator drogada e recém liberada da reabilitação, a menina rebelde que não teve a atenção do pai que na época era um ator muito ocupado. Bem clichê e bem verossímil, mas Emma Stone consegue ser inteligente até interpretando uma cabeça de vento, sua performance também está incrível, e suas indicações são todas em cima da cena que ela joga tudo na cara do pai e indaga ao final de um longo sermão “você odeia bloggers, tira sarro do Twitter, nem tem um facebook, é você que não existe” dando uma tapa na cara dos atores que se acham bons demais para terem uma rede social, eles temem a exposição, mas não veem que o conteúdo é eles que controlam e que é esse contato com os fãs que os mantém em evidencia. Obrigado Emma Stone!


     Outro momento clichê do filme são as falas proferidas para a critica de cinema do new York times, uma coroa filha da mãe que se propõe a ferrar com a peça sem ao menos vê-la, por puro deleite. Quantos críticos filhos de uma hooker existem por ai que se comprometem a destruir a carreira de um determinado ator/cantor/diretor e etc... e a critica aos críticos não para, o momento clichê se dá pelo dialogo com a critica,algo do tipo “Quem não sabe fazer critica” ditado que todos conhecem bem. Não sou uma critica especializada mas me sinto inserida na profissão e claro que sou afetada pela frase, qual critico não é? E sabe de uma coisa? Essa frase não poderia ser mais verdadeira. Não posso falar por todos mas sou sim uma artista frustrada, o sonho de ser atriz é um plano z na minha vida e algo que eu gostaria muito de fazer, o teatro seria ótimo pra minha timidez mas prefiro me ater aos meus textos que é onde me sinto segura. (pra você ver o grau da minha timidez)
     O próprio personagem principal é um clichê por si próprio e nem por isso sua composição é enfadonha dada a melhor atuação da carreira de Keaton. Thomson poderia optar por viver de forma segura e continuar interpretando Birdman, o blockbuster iria atrair milhões pra sua conta bancária independente da qualidade do filme, como muitos atores por ai, mas abandonou  a sequencia de seu ganha pão e a partir daí não surgiu mais trabalho, ele ficou na geladeira, como dizem e não teve alternativa a não ser apelar pra composição da sua peça. Alternativa bastante corriqueira em Hollywood. Mas Birdman não deixou de assombrá-lo, ele é a voz em off que surge na cabeça do protagonista. Voz essa que se assemelha muito a voz grossa, rouca e sem sentido do herói Batman, ganha pão de Keaton. O herói birdman se funde ao ator e o faz ter poderes de mover objetos e até voar, e o diretor Alejandro González não noz diz se os devaneios são reais ou cinematográficos. Ficamos na duvida se é aquilo mesmo ou tem um significado por trás, por conta disso o próprio final é uma incógnita (mesmo que eu tenha uma teoria pra ele, sem spoiler)
     Birdman é um filme esclarecedor sobre os bastidores do teatro, dos famosos e até dos realitys, “Deveríamos ter aceitado o reality que nos ofereceram, os thomsons” a consciência diabinha voadora dele disse. Um filme que nos faz abrir os olhos e perceber que Hollywood não é só glamour, se você ainda pensava assim desculpa-me te dizer, mas você não sabe de nada inocente. É uma passada de pernas atrás da outra, o filme dá alfinetadas com bom humor e drama, intercalados de forma majestosa. Sobra alfinetada até para o Robert Downey jr ... A trilha sonora é boa, “o cara da bateria” está nos momentos mais oportunos e o elenco é de longe o melhor da temporada, tanto que ganhou o Sag awards na categoria de Melhor Elenco. Naomi watts brilha num papel totalmente diferente e até Zach Galifianakis está em seu melhor momento, totalmente equilibrado e não escrachado como seus personagens anteriores, custa perceber que aquela figura é o “gordinho do Se Beber Não Case” o filme é realmente uma obra prima do diretor, e que ele tenha muita sorte no Oscar, principalmente Michael Keaton, seria muito legal ver o Beetlejuice ganhando o Oscar!

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