sábado, 7 de novembro de 2015

Review A Colina Escarlate


       A colina Escarlate marca o retorno do diretor mestre da fantasia Guilermo Del toro. pena que não foi uma volta triunfante, isso por que o filme não se saiu bem nas bilheterias. apesar das expectativas e do exército de Hiddlestoners (fãs do Tom Hiddleston) que foi em peso assistir a esse filme de amor gótico. Talvez essa seja a razão do relativo fracasso. Nem o diretor e nem os atores prometeram um filme de terror, mas o trailer e algumas pessoas que nem sequer tinham assistido ao filme o venderam assim e aqueles que foram aos cinemas assistir algo amedrontador saíram decepcionados.
       A Colina escarlate é sobre Edith (Mia Wasikowska) uma menina tímida e inteligente que foi criada pelo pai protetor, e se vê seduzida por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) que deveria seduzir outra, mas se sentiu atraído por Edith que era “diferente” de tudo que ele conhecia. Após um terrível fato ela vai morar com ele e com a irmã Lucille Sharpe (Jessica Chastain) num casarão assombrado que todos chamam de Colina escarlate.
       Assim como todos os filmes de Guillermo esse é primoroso e rico em detalhes. Tudo tem um significado filosófico. As cores dos vestidos, as borboletas, as partes da casa. Tudo minuciosamente detalhado e intrigante de se ver, inferior aos seus outros trabalhos feitos no mesmo molde, mas ainda sim muito bem feito, graças ao profundo conhecimento que o diretor tem de efeitos especiais, maquiagem e figurino. Sabemos que a mente do diretor funciona de maneira única e todo aquele universo parte dela. Ao invés de usar um cenário para o casarão ele optou por construir a casa, para que o realismo fosse maior, basta saber o que fizeram com ela posteriormente. O quadro da mãe dos irmãos emos góticos das trevas sabemos o que aconteceu, ele levou para casa pois disse que a mulher do quadro parecia com sua avó (what? Anyway...)

       Seu último filme como diretor foi Pacific Rim (círculo de fogo) que os críticos falaram mal, mas que o público gostou, meio o que está acontecendo com Crimson Peak. (pelo menos baseado nos tweets que eu li) seu penúltimo filme como produtor foi Mama e é impossível não compara-lo com este. A forma física dos fantasmas, a maneira como se movem, aquele aspecto de fantasma fumaça negra (nesse caso vermelho também pois é a cor em foco do filme) os barulhos que provocam arrepios e as borboletas e mariposas que são usadas como os insetos que representam a vida e a morte. E claro a presença de Jessica que também atuou em Mama. Tudo bem semelhante. A diferença é que em Mama a mamãe fantasma dos infernos realmente causava medo, até a cena em que conhecemos a sua história e começamos a sentir empatia por ela. Ai todo o medo cai por terra. Mas o incomodo graças aos barulhos que ela emana continuam. No final vemos que ela foi uma mãe bem melhor do que muitas por aí. Já neste não há redenção para a personagem de Lucille que já deduzimos pelos trailers que é a vilã.


       Jessica Chastain foi a única que recebeu elogios por parte dos críticos mais chatos. E de forma merecida pois ela trouxe uma seriedade e uma frieza tão extremas que fica fácil admira-la e odiar a personagem. Ela não é aquele tipo de vilão que amamos odiar, ela a gente odeia e pronto, não como a mama e não como o Loki e por falar nele Tom Hiddleston continua competente, mas é explicito que ele ainda não conseguiu se livrar do vilão mais amado da internet. Talvez seja pelo visual vampiresco branco e de cabelos negros ou pela áurea de mistério e maldade tão típica de seu personagem mais conhecido. No princípio fica difícil distinguir qual dos irmãos é o verdadeiro vilão, mas a suspeita pesa para o lado de Lucille e logo as suspeitas são confirmadas e vemos que Thomas é completamente dominado pela irmã. Ele tem consciência das coisas erradas que ele fez, mas ele não consegue se negar a irmã pois morre de medo dela, no final vemos o porquê ele a temia tanto.
       O filme traz um roteiro totalmente previsível e algumas vezes sentimos o desconforto de Guillermo na direção. Principalmente nas cenas de sexo. Na verdade, é uma só, pouco romântica e muito rápida. (o bônus é o bumbum do Tom <3) o difícil é assimilar que o casal ficou tanto tempo depois de casados sem consumar o casamento. Claro que por causa da irmã ciumenta. Dali confirmamos o ponto crucial e motivacional da trama. É meio nojento como as séries e filmes abordam o incesto com tanta naturalidade hoje em dia. é claro que essa pratica pecaminosa existe desde os filmes setentistas mas sempre em filmes pequenos e na maioria das vezes proibidos. Atualmente como a libertinagem é maior, um casal de irmãos apaixonados é tratado como apenas um casal com interesse romântico em cena. Vide o filme brasileiro Do começo ao fim. Parem migos, isso é horrível, só parem. Além do incesto, tem os filhos matando a mãe, e a morte é justificada pelo tratamento que a velha de cara pouco amistosa dava ao tranca-los no sótão (lugar onde provavelmente começaram as práticas sexuais) tudo isso é retrato de forma sombria, mas não cai no desconforto psicológico porque a essa altura você já descobriu todos os segredos previsíveis da trama (sobre as ex esposas e tal) e se vê torcendo por Edith e Thomas. O melhor amigo da menina é Alan (Charlie Hunnam, de Sons of anarchy) e mais uma vez Charlie não obtém êxito. Mia se esforça mas continua apática e parte daquele grupo de atrizes que você não sabe como conseguem tantos trabalhos bons.
       A colina escarlate é um daqueles filmes que já tem o seu público, aqueles que gostam de romance gótico vão se fartar. Apesar de previsível e de resolução fácil demais eu gostei e não achei uma total de perda de tempo. (só de ter o Tom e o Guillermo já vale o ingresso) Ele fica martelando na sua cabeça por algum tempo depois de sair da sala mas logo vira fumaça como seus fantasmas. 

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