quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Indicados ao Oscar: Lion


           O ano está bom em relação aos filmes indicados ao Oscar, dos que assisti até agora nenhum foi ruim ou mediano, todos os quatro foram muito bons. O quarto filme assistido foi Lion, que é baseado em fatos reais e é a adaptação do livro autobiográfico A Long Way Home. Lion funciona bem como um filme emotivo e também mostra uma nova vertente da questão da adoção.
          Saroo é um menino de cinco anos que se perde do irmão em uma estação de trem e passa um tempo tentando sobreviver sozinho até que é adotado por um casal de Australianos. Quando o menino cresce sente um forte desejo de reencontrar sua família biológica.
        Geralmente historias que retratam o começo da vida de um personagem até a fase adulta dão um pulo rápido para essa fase ou se não intercala flashbacks. Aqui vemos um equilíbrio entre prolongar uma tocante historia de um menino de cinco anos perdido e depois sua busca pelo passado. Não contente somente com a ajuda de flashbacks o filme também mostra imagens imaginativas do personagem já adulto vendo o irmão mais velho em situações precárias de pobreza. Algumas dessas cenas são um pouco piegas, mas elas ajudam a contrastar a boa vida que saroo tem agora e a vida de miséria que a família provavelmente está levando na índia.
           A primeira fase do filme, que como já dito, se prolongou mais do que o normal. Porém não há incomodo nisso, por vezes nem dá vontade que o personagem cresça dada a agradável figura do mini ator Sunny Pawar que é a coisa mais fofa e talentosa desse mundo. Ele passa muita verdade em sua atuação, seu sofrimento é real assim como seu sorriso. Quem o olha tão novinho e tão competente se espanta. Todas as coisas que ele passa nas ruas, sua perspicácia em relação as armadilhas que surgem em seu caminho, seus pequenos momentos de felicidade, tudo isso é acompanhado com risos e lagrimas de quem assiste. Sua relação com sua família e principalmente com seu irmão é muito bonita, tanto que ele nunca os esqueceu.
            O filme peca em criar um motivo bom o suficiente que o tenha impulsionado a procurar sua família, já que ele não é mais uma criança a algum tempo e poderia ter começado a procurar antes. Seus amigos indianos e sua namorada o ajudam (mesmo que o relacionamento com a namorada tenha seus autos e baixos) e ele tem medo da reação da mãe adotiva quando for contar que está procurando sua família. Ele não quer magoa-la.


          Dev Patel que interpreta Saroo em sua fase adulta está ótimo como sempre. Ele mostrou que tem talento desde que surgiu no cinema com Quem quer ser um milionário e aqui tem uma atuação equilibrada. Sua namorada é interpretada por Rooney Mara que não faz muito coisa aqui a não ser estar ao lado dele e algumas vezes nem tanto. O pai é interpretado por David Wenham que está mais velho e quase irreconhecível, nem o associei ao seu personagem divertido de Van Helsing. Ele também está bem, mas não faz grandes coisas. Quem arrebata a cena é sem duvida Nicole Kidman como a mãe adotiva.
               Há muito tempo ela vem fazendo apenas filmes B e algumas participações em alguns filmes, a audiência até esqueceu o quão talentosa ela é e aqui conseguimos nos lembrar muito bem. Assim como em As Horas, ela está bem diferente do seu visual costumeiro da mulher loira e bonitona. Ela está com cabelos curtos vermelhos e encaracolados e aparenta ser bem mais velha do que é. Parece uma verdadeira dona de casa e encanta como uma mãe dedicada e carinhosa que não desiste dos filhos. Além de Saroo ela adota Mantosh que tem alguns problemas psicológicos e ela tem que ser forte para lidar com ele.
       A trilha sonora do filme é maravilhosa. Ela mescla musicas indianas com musicas instrumentais usadas para elevar o nível de sofrencia das cenas emocionantes. Inclusive uma sequencia em que Saroo flerta com sua namorada em seu primeiro encontro vira quase uma cena de musical graças às batidas da musica indiana inserida.
           O diretor Garth Davis é novato e antes só dirigia propagandas, o que ajudou bastante na propaganda escrachada do Google Earth, recurso que nós podemos até conhecer mas nunca saberíamos que funciona tão bem (pelo menos eu não sabia) aposto que o uso dele aumentou consideravelmente.
         Lion é sem duvidas um dos filmes mais emocionantes dessa temporada de premiações. E também é cheio de qualidades. O roteiro não tenta exagerar na jornada de saroo e torna-la épica após ele querer procurar sua mãe e os irmãos, quando ele os encontra é bem rápido, até por que a verdadeira peleja ele passou quando pequeno. Talvez esse seja “O Quarto de Jack” desse ano. Ambos arrancam varias lagrimas e tem uma criança fofa que se destaca, mas nesse o tema posto em pauta é a adoção e como adotar uma criança é um dos maiores atos de amor que poderia existir.

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