segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Adeus a Bates Motel


[ALERTA DE SPOILER]
          
           O final de Bates Motel nunca foi surpresa para ninguém, todos sabiam como a série terminaria, a não ser que a pessoa nunca tivesse assistido ao filme. Mas quem já conhecia, sabia que certas coisas aconteceriam e que a Norma morreria no final. E mesmo sendo previsível nesse aspecto, a série sempre conseguiu prender seu publico e inovar na maneira de reencontar essa historia.
          Aqui no blog tem um big review de todas as temporadas de Bates Motel e também review do filme e do livro. Uma das coisas que cito na minha resenha do apanhado geral da série é que quando terminamos a 4° temporada (que foi bem fraca por sinal) não sabíamos como a 5° temporada seria. Se ela iria focar na morte de Marion Cane e todo o desenrolar do filme, se iria esquecer os personagens coadjuvantes e focar na Norma e no Norman e etc...     As duvidas eram muitas, mas eles conseguiram desenvolve-la muito bem.
              Nessa ultima temporada vimos com mais exatidão como funciona os delírios de Norman depois da morte da mãe. E o roteiro trabalha brilhantemente essa parte. E vemos como a presença da Norma é forte, não só para o Norman, mas para quem assiste também. Muita gente achou que ficaríamos órfãos do talento e da beleza da Vera Farmiga nessa temporada, mas ainda bem que isso não aconteceu. Ela e Freddie são os pilares da série, não existe um sem o outro, assim como não existe o filho sem a mãe.
           Freddie está mais sensacional ainda nessa temporada. Ele leva sua atuação para o topo e consegue com sutileza oscilar entre o Norman calmo e doce e depois o Norman agressivo e temperamental. Ele quer acreditar que sua mãe está viva, ele precisa acreditar nisso e ele não quer de forma alguma sair dessa bolha psicológica que é o mundo dele. Sua atuação como a Norma está ainda mais afiada, ele não tenta imitar a atuação da Vera, ele pega algumas características e reinventa-a.
              Sobre a tão aguardada cena do chuveiro... Esse arco foi contado com mais de um episódio e retrata toda a trajetória de Marion até o hotel. Mostra-a com seu amante (foi uma sacada genial usar um personagem que já estava na série já que não queriam recriar o núcleo do livro/filme) e depois fugindo da cidade com o dinheiro que o patrão mandou depositar. 


          Houve todo aquele contato inicial do filme entre Norman e ela. Ele sendo um perfeito cavalheiro, fazendo sanduiche para ela e eles conversando. Alguns takes foram reproduzidos exatamente como no filme. A preocupação com os detalhes e a homenagem a obra foi maravilhoso. E a homenagem aconteceu nessa cena de aproximação dos dois e também na cena da morte. E se teve uma cena que nos surpreendeu, definitivamente foi essa. Esperávamos ver Marion sendo morta a facadas no chuveiro, mas isso não aconteceu. Naquele momento Norman conseguiu vencer a impulsividade da mãe o mandando mata-la e mandou-a ir embora.
         Mas a famosa cena aconteceu. Porém com o amante, e Norman o odiava por trair a esposa por quem ele tinha um “crush” e que era fisicamente muito semelhante a Norma. Não teve a trilha sonora marcante, mas cada frame da cena era igual ao que vimos no filme de 1960. Não dá para copiar cada detalhe de um clássico, é um sacrilégio fazer isso e os produtores e roteiristas entenderam isso, portanto eles mudaram algumas coisas e essa atitude foi corajosa e bem pensada.
          Quem interpreta Marion na série é Rihanna, que foi contratada por ser muito fã de Bates. Sabemos que ela não é uma ótima atriz, mas a atuação dela não incomoda aqui. Ela é discreta e cumpre direitinho sua função. É claro que nem de longe é o primor de atriz que foi Janet Leigh como Marion mas conseguiu fazer um bom trabalho.
            Nessa temporada também vemos novas versões dos personagens conhecidos. Emma virou uma dona de casa com uma filha fofa, Dylan um pai de família preocupado com o irmão e Romero segue ferido pela morte da esposa e com ódio mortal de Norman, a quem ele culpa pelo que aconteceu. A cena em que ele chega na delegacia para levar Norman tem uma mistura de tensão e humor negro. A morte de Romero não agradou muito já que ajudou a colocar o psicopata em um pedestal onde se torna intocável, mesmo que um ex policial treinado tente acabar com ele, ele é capaz de mata-lo com uma pedrada.
          A cena desse confronto final é eletrizante. Depois da morte do Xerife, Norman retorna ao Motel e finge que nada aconteceu, hospeda pessoas, faz um jantar para o irmão e vive seus últimos momentos finais como se nada tivesse acontecido. O confronto dele com Dylan é de partir o coração. Vimos ali o menino por trás do psicopata, o menino que ama o irmão mais velho e que seria incapaz de machuca-lo (como ficou comprovado em um episódio anterior) e a forma como ele induz Dylan a liberta-lo e deixa-lo ir embora para ficar com sua adorada mãe foi o encerramento perfeito. Ele se reencontrando com ela conseguiu arrepiar ainda mais do que a cena de Norma conversando com Emma através do filho. Cara, essa cena me arrepiou muito.
         Portanto essa foi a despedida dessa série que tanto nos surpreendeu. Bates motel trouxe novidade onde supostamente não deveria haver e também trouxe um elenco incrível e episódios memoráveis. Ela certamente fez jus a obra de Alfred hitchcock. 

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