sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Indicados ao Oscar: Review Lady Bird


          Lady Bird se tornou o filme mais bem avaliado no Rotten Tomatoes e foi indicado à vários prêmios nessa temporada de premiações, ganhando o Globo de ouro como melhor filme de comédia ou musical e Saoirse Ronan como melhor atriz e mesmo com todos esses feitos a diretora e roteirista do filme Greta Gerwig não foi indicada como melhor diretora, até ontem, quando foi indicada ao Oscar na categoria e finalmente a industria se redimiu pois esse é um belíssimo trabalho, talvez não seja uma obra prima (e talvez a nota do Rotten seja um tanto exagerada) mas na simplicidade das situações conseguimos nos identificar e aprecia-lo.
            Com o titulo de “Lady Bird – A hora de voar” no Brasil (pois é) temos essa estudante chamada Christine que gosta de se auto denominar de Lady Bird e que está prestes a terminar a escola e não sabe o que fazer, ao mesmo tempo que tenta conviver pacificamente com a mãe.
               Esse é um coming-of-age que pode ser confundido com tantos outros, por se tratar de uma adolescente rebelde que está perdida quanto ao seu futuro e só sabe resmungar e brigar com a mãe. Mas ele possui algumas camadas que faz o publico se aproximar, seja na relação dela com a mãe, seja em sua rebeldia e sua ânsia de conhecer coisas diferentes tão característica da adolescência ou em seus relacionamentos amorosos que trazem desapontamento. Metade do publico consegue se identificar com pelo menos alguma coisa.
             O elenco aqui é primordial para causar a empatia (ou antipatia) e fazer do filme mais identificável. Saoirse é uma excelente atriz desde nova, e sempre está perambulando pelos filmes que marcam presença nas premiações. Antes foi indicada pelo filme Brooklyn, onde ela está bem, mas nada se comparado a esse. Ela expressa bem a avalanche de sentimentos que vem com a juventude, e pode parecer só mais uma teen chata, quando na verdade é um retrato da maioria dos jovens mundo a fora. Sua mãe é interpretada pela Laurie Metcalf (que foi indicada ao Globo de ouro e SAG como atriz coadjuvante) e ela é a típica mãe que se preocupa com a filha, mas também não leva a sério os dramas dela, é a mãe que parece não ouvir a filha e não dar atenção aos seus problemas, porém, nem por isso ela deixa de amar a menina. Muitas vezes os pais nem fazem por mal, a personagem é uma enfermeira que trabalha bastante, algumas questões relacionadas à filha pode lhe escapar, mas isso não faz dela uma mãe ruim. 


             Lucas Hedges também já virou figura carimbada nas premiações. Ano passado esteve no filme Manchester a beira mar e esse ano em Três anúncios para um crime e nesse que ele interpreta Danny, que parece ser o cara perfeito. Doce e atencioso. O oposto do personagem do Timothée Chalamet, que é um playboyzinho hipster que não se importa com ninguém. Assim como em Call me by your name seu personagem aqui também é cool e estiloso, porém é mais seguro e de caráter duvidoso e ele consegue destacar bem essa diferença entre os dois. A atriz Beanie Feldstein (que é irmã do Jonah Hill) que interpreta a melhor amiga de Christine não é uma atriz excepcional, mas ganha pela boa composição de sua personagem que é daquelas amigas que todas gostariam de ter.
           Greta mereceu sua indicação na categoria de direção, indicação que não aconteceu para preencher uma cota, ela realmente faz um trabalho fantástico com esse filme, vemos muito de suas experiências pessoais nele, principalmente na figura da protagonista e isso só o enriquece ainda mais.
           Lady Bird é um filme sobre crescer e se descobrir, sobre a difícil etapa que é passar para a vida adulta, é sobre experimentar coisas novas, quebrar a cara, se apaixonar e se decepcionar, vários filmes nesse mesmo molde já foram feitos, mas de alguma forma ele é notável e o cuidado em seu texto, atuações e principalmente na direção é o que faz ele especial.


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