quinta-feira, 1 de junho de 2017

Review Livro + filme Sete minutos depois da meia noite


          Sete minutos depois da meia noite é um livro/filme que evoca aquelas antigas obras literárias e cinematográficas de fantasia que tanto amávamos, onde um personagem “imaginário” traçava o rumo da narrativa, a diferença aqui é que esse personagem não é tão bonzinho como os outros, ele desperta o lado mais primitivo do protagonista e é isso que torna ambos tão inovadores.
          Primeiro falaremos do livro que foi lançado em 2011 e é escrito pelo autor Patrick Ness. Esse é um livro que apesar do tema pesado é muito rápido de ler, tanto porque é curto, quanto porque a narrativa flui que é uma beleza. E o livro foi uma ideia da autora Siobahan Dowd enquanto passava pelo tratamento de cura contra o câncer de mama, ela começou a desenvolver o projeto, mas não conseguiu terminar, pois faleceu em 2007, Patrick assumiu daí. A autora não queria qualquer arvore para ser o monstro, ela pensou no teixo justamente porque sua casca produz um remédio de cura do câncer. Algo abordado no livro.
           O livro conta a historia de Conor O’malley um menino que precisa lidar com o câncer da mãe, ao mesmo tempo em que sofre bullying na escola e recebe a visita de uma arvore que quer lhe contar historias.
        Assim que Conor começa a receber as visitas do monstro ele não sabe distinguir se aquilo é um sonho ou é a realidade, afinal, quem conseguiria distinguir isso? Mas aos poucos ele vai entendendo que o monstro está ali por um propósito. Ele quer que ele ponha para fora o seu medo, sua angustia e sua raiva e por isso o menino age de uma forma considerada errada pelas pessoas ao seu redor.
          Com a mãe passando mal todos os dias ele assume os afazeres da casa e diante de tantas responsabilidades ele não vê um propósito nas coisas de criança. Por isso se isola na escola, o tornando alvo de bulliyng. Certas crianças podem ser seres bem insensíveis de vez em quando, como fazer mal a um “colega” que está tendo a sua mãe morrendo de câncer? Só de pensar que isso pode acontecer na vida real já desperta raiva. Por isso quem lê e quem assiste consegue entender a fúria do menino.


          Nesse cenário escolar a única diferença entre o livro e o filme é que no livro ele tem uma amiga chamada Lily, que ele também afasta, mas mesmo assim ela permanece do lado dele, seria interessante ter visto a menina no filme, mas nele o menino não tem nenhum porto seguro.  
          Além da perseguição no colégio, o menino precisa lidar com a avó, que é mais perua no livro do que no filme. Ela é uma senhora que não entende o neto e não sabe demonstrar afeto por ele, assim como ele por ela. O pai de Conor mora em Los Angeles e também não se importa muito com ele.
        O livro tem uma narrativa bastante objetiva e pontua bem a realidade e a fantasia. E o filme consegue acompanhar isso também.
        O filme foi lançado no ano passado, em 2016, tem o roteiro do autor do livro (o que o torna extremamente fiel, com pequenas ressalvas) e direção de J. A. Bayona, um espanhol que dirigiu O Orfanato, O Impossível (ele sabe escalar elenco infantil) e irá dirigir Jurassic world 2. Inclusive o Tom Holland que trabalhou com ele em O Impossível, o ajudou nos movimentos corporais do mostro.
       O elenco desse filme está excelente, temos Liam Neeson com sua voz imponente fazendo o monstro (antes fez a voz do leão de As Crônicas de Narnia) Felicity Jones faz a mãe de Conor e mesmo não se sobressaindo consegue ter uma atuação delicada e discreta. Sigourney Weaver está maravilhosa como a avó de Conor, ela transmite perfeitamente o medo que sente pela filha e a frieza e apreensão com o neto. Toby Kebbel de Black mirror é o pai do menino, seu personagem não faz muita coisa na trama. Quem interpreta o protagonista é Lewis Macdougall, que só esteve na nova versão de Peter Pan, mas já parece ser um ator experiente, ele conduz bem o filme e sua atuação é eficiente em cada emoção passada.
           Tecnicamente o filme também é muito bem feito, as animações utilizadas para contar as histórias são visualmente lindas, a trilha sonora só as complementa, além dos valores ensinados nessas historias que passam longe de ser algo meloso e bobo. O design do teixo também é bem feito, há uma cena ou outra que ele é visivelmente um chroma key, mas nada que atrapalhe.
          A moster Calls, apesar da simplicidade é um dos melhores livros que já li na vida, ele mistura uma triste realidade com uma fantasia que funciona como objeto de alivio e esperança para o protagonista. O filme consegue captar esse sentimento e o eleva ainda mais. O final do filme é diferente, mas emociona mesmo tendo sido prolongado onde não precisava. Mesmo sendo uma obra direcionada para crianças, é pesada para elas e elas não entenderão nem a metade do que a historia quer passar, ou talvez ele seja como O Pequeno príncipe e mereça ser lido em cada fase da vida.



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