terça-feira, 25 de julho de 2017

Review Homem Aranha: De volta ao lar


          Teve aqueles que estavam na hype por esse filme (por causa da divertida aparição do personagem em Guerra Civil) e aqueles que não estavam nem ai para mais uma tentativa de reviver o herói na telona. Eu me encaixava no grupo dos fãs do Spider que estavam ansiosos para vê-lo mais uma vez. Independente das criticas negativas aos filmes protagonizados pelo Andrew Garfield e do terceiro filme com o Tobey Maguire. Em contrapartida não estava confiante, a surpresa das criticas positivas e da enorme bilheteria de estreia só intensificaram a vontade de ver meu herói preferido, melhor ainda quando vi com os meus próprios olhos que os elogios eram verdade.
           Peter Parker retorna para sua casa depois de atuar ao lado dos vingadores e precisa provar que apesar da idade consegue lidar com os crimes ao seu redor.
               Homecoming é uma mistura do Peter Parker de Sam Raimi, do Homem Aranha de Mark Webb e das peripécias de Deadpool. Tudo isso atribuindo uma personalidade própria a um menino de 15 anos que só quer fazer parte dos vingadores.
            Já falei aqui no blog o quanto eu gostei das versões anteriores, cada adaptação trouxe uma nova roupagem ao personagem e trouxe coisas que me agradaram em pontos diferentes, esse novo filme é como ver algo totalmente novo. Ele não conta uma historia de origem como foi no reboot anterior, ele parte do ponto onde a Guerra dos heróis acaba e mostra novas ambições do Peter/Spider que aqui não foca em conquistar a menina popular do colégio e nem arrumar um emprego de fotografo, ele quer pertencer a algo maior, ele quer fazer parte desse grupo de heróis e por isso perde momentos de sua adolescência. Contudo, é interessante ver essa mudança de prioridade.
            Vemos um Peter mais desencanado da morte de seu tio Ben, mesmo que a falta dessa figura paterna fique evidente no desespero em se espelhar e agradar Tony Stark, a pessoa que agora mais se aproxima de um pai para ele.
            Tom Holland conquistou muitos corações no papel do herói, muitos o chamam de Homem aranha definitivo e ele realmente faz um excelente trabalho, apesar da timidez do personagem ele tem um humor de tiradas rápidas que condiz com a velocidade que os jovens fazem as coisas hoje em dia. Seu trabalho corporal também é ótimo. Tom fez balé na infância e sabe dar umas piruetas e uns saltos como um verdadeiro atleta, e ele incorpora isso no herói, o deixando com a sua cara. E não só nas cenas engraçadas que ele acerta, nas de drama também, há uma cena em especial que ele transmite perfeitamente toda dor e agonia que está passando, nos fazendo ficar morrendo de preocupação. Quem viu Tom no filme O impossível sabe que desde novo ele consegue transmitir emoções muito facilmente.
                Quem interpreta a tia May nessa nova adaptação é Marisa Tomei e é muito divertido ver como o roteiro usa a beleza e a jovialidade dela para brincar em algumas cenas e fazer os mais chatos rirem antes que possam comparar a idade dela para as das outras atrizes que interpretaram a tia May (sempre bom lembrar que a Sally Field estava maravilhosa no papel em O Espetacular Homem Aranha)
                  A Marisa já trabalhou com Robert Downey Jr na comédia romântica dos anos 90 chamada Only You. E Robert no filme é apenas uma participação (super/hiper/mega) especial, nada mais, ele não rouba a protagonismo de Tom e mesmo quando o ajuda a salvar o mundo ele dá a chance de seu pupilo brilhar, pois esses atos só ajudam a moldar o caráter do menino, o tornando mais forte e inteligente. Quem diria que o fanfarrão do Tony Stark poderia ser um mentor tão maduro e com ótimos ensinamentos, alguns diálogos até brincam com isso.


          Os coadjuvantes são uma das melhores coisas do longa. Todos eles têm importância para a trama. O Ned que é o melhor amigo de Peter acompanha o protagonista em sua comicidade e se torna um sidekick eficiente em sua jornada, assim como um ótimo melhor amigo, Jacob Batalon faz um ótimo trabalho cômico aqui. Assim como o Bullying interpretado pelo Tony Revolori que dessa vez não é o atleta gostosão, mas o nerd (não muito inteligente, mas tudo bem) que se acha superior aos outros e faz piadinha com eles. Todo nerd tem um pouco dele (afinal nossos gostos são ótimos RS) e é legal ver esse tipo de bullying ser retratado. Parece que o jogo virou não é mesmo?
              Outra mudança é na figura do interesse romântico do teioso. A Liz interpretada pela Laura Harrier também não é a menina que é popular por sua beleza e pelos caras que já namorou, mas sim pela sua inteligência, liderando um clube acadêmico, mais ou menos como a Gwen Stacy que vimos nos filmes anteriores. E temos a personagem Michele interpretada pela Zendaya. A menina desencanada com o visual, inteligente e esquisita. Referencia nada subliminar da personagem Allison de O clube dos cinco, inclusive em um dos diálogos finais ela fala algo muito parecido com o que Allison diz em the Breakfast club.vimos que essa é uma personagem que vai crescer bastante nos próximos filmes e quem assiste a esse gosta tanto dela que torce por isso.
           Do elenco adulto Jon Favreau tem uma participação essencial como o motorista Happy. Ao mesmo tempo em que é a cola que liga Peter e Tony,ele tem vida própria dentro da trama. E temos Michael Keaton como o abutre fazendo um dos melhores vilões da Marvel até agora. Um vilão que quer fazer seus esquemas na surdina e sem atrair a atenção dos vingadores, no fundo ele é apenas um pai de família tentando sobreviver, diferente do que já foi feito no universo cinematográfico. Keaton está incrível e há uma cena de confronto entre ele e Peter que é de arrepiar, uma em que não há trajes de heróis e nem identidades secretas, apenas duas pessoas se desafiando através do olhar. Sensacional.
                A parte visual do filme é muito bem executada, o uniforme está incrível (tanto do herói quanto do vilão) e até os sistemas operacionais a La Homem de ferro caem como uma luva. A Karen é o jarvis do Spider e ela faz sentido nas cenas, não está lá só para encher lingüiça como achávamos, a interação dela com o herói é muito divertida, o dois fazem uma ótima dupla, fora que a voz da Jennifer Connelly é encantadora.
             O roteiro não é digno de prêmios, há alguns deslizes quanto a linha de tempo, mas conquista com sua simplicidade, inovação e referências. Ele entende a cabeça dos jovens e extrai a melhor coisa deles. Foi escrito por seis pessoas, sendo uma delas o diretor do filme Jon Watts e o ator John Francis Daley que fez Bones e Freaks and Geeks, dessa ultima série vi muito do seu personagem Sam no roteiro, um nerd apaixonado por cultura pop que estaria nas nuvens ao ver um filme como esse. Seu amigo dos grupos dos Geeks, o Bill, interpretado pelo Martin Starr faz o professor do clube acadêmico que o Parker participa. Está tudo entre os geeks.
              O melhor de Homecoming é que ele entende o cenário atual dos adolescentes, tanto que esse é conhecido como o homem aranha do youtube e grava vlogs na internet, e mesmo assim não os subestima e nem os degrine. As referências também são ótimas, elas previram as piadinhas que viriam e fizeram primeiro, principalmente em relação aos personagens e a origem deles. Portanto esse é um filme menor e mais despretensioso que os anteriores, por vezes parece que não estamos vendo um filme de herói grandioso e cheio de efeitos especiais, mas um filme teen dos anos 80 sobre um menino que está se descobrindo como herói e como pessoa.


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