sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Review filme Em Ritmo de Fuga


               Ouvir música enquanto dirige é uma das coisas mais libertadoras do mundo, ir para o trabalho (e voltar dele) ir para um compromisso importante, para a faculdade fazer uma prova difícil e tantas outras coisas podem ser amenizadas com uma música que amamos tocando no radio do carro enquanto o vento bate no rosto. Esse conceito é muito bem aplicado em Baby driver, ampliando ainda mais essa ideia, e com ela nos oferecendo um filme cheio de adrenalina, música boa e que não precisa de um roteiro brilhante para ser melhor do que os outros filmes que usam essa combinação.
           Em ritmo de fuga, baby é um rapaz que precisa ouvir musica o tempo todo para amenizar um zumbido em seus ouvidos e ele é um piloto de fuga que trabalha para Doc, mas que quer sair dessa vida.
                Gosto muito do diretor Edgar Wright, ele é alguém que tem um estilo próprio de fazer cinema, parece não estar interessado em grandes produções, vazias de significado e que faturam milhões nas bilheterias. Esse talvez seja seu projeto mais ambicioso, mas que aparentemente começou sem grandes pretensões, porém foi tomando proporções gigantescas, conquistando 95% no Rotten Tomatoes (antes estava com 98%) e levando o publico ao cinema, principalmente os cinéfilos, até os que estavam com dois pés atrás em relação ao filme (eu mesma).
                Edgar fez anteriormente filmes menores como a trilogia corneto protagonizada pelo Simon Pegg e o Nick Frost, o meu preferido é Todo mundo quase morto e já indiquei ele e Heróis de ressaca (outro filme da trilogia) em um post sobre 5 filmes para conhecer o Simon. Outro ótimo filme dele e que foi muito mal compreendido pelo publico, mas aclamado pelos cinéfilos nerds foi Scott pilgrim contra o mundo.
                 A musica sempre teve um papel importante nos filmes de Edgar, nos filmes que citei a trilha sonora sempre foi pontual, inclusive musicas do Queen são muito bem utilizadas em seus filmes, em Todo mundo quase morto teve uma cena icônica com Don’t stop me now e aqui com Brighton Rock. E não só de Queen viverá Edgar, mas também de The commodores e tantos outras excelentes bandas e cantores. Cada momento musical era como assistir a um videoclipe muito bem editado e super cinematográfico. A montagem e edição tem um papel primordial para deixar essas cenas impecáveis. A forma como as partes do carro dançam ao ritmo da musica, até os tiros e manobras são sincronizadas no ritmo do som. Os minutos iniciais do filme já apontam os grandes momentos que virão pela frente.


           As atuações não são o grande forte do filme (o melhor do filme já foi citado acima) apesar disso Ansel Elgort que faz baby, Kevin Spacey como Doc e Lily James como Deborah estão muito bem. Kevin faz um bandido bonzinho em um papel que trás novidade para esse tipo de personagem, Lily é a típica mocinha gente boa que está na trama para mudar a vida do protagonista e mesmo sendo estereotipada a atriz consegue fazer com que essa personagem não seja igual a tantas outras, que seja no mínimo agradável, Ansel em seus papéis de destaque sempre interpreta aquele cara diferente e visto como estranho pela sociedade. Antes ele foi um adolescente sem uma perna que usava um cigarro mas não fumava, agora ele é um motorista com um zumbido no ouvido que não passa e para ameniza-lo precisa ouvir musica constantemente. A musica é a vida dele, e o papel dela em Ritmo de fuga é essencial, é como se ela fosse um personagem também.
           Os ladrões interpretados por Jamie Foxx, Eiza González e Jon Hamm são uns dos personagens mais chatos do ano, o roteiro também de Wright não conseguiu desenvolve-los bem e por isso eles são um pé no saco. No final nós achamos que finalmente o casal Bonnie e Clyde fajuto terá alguma utilidade e não serão só o cara charmoso e a menina gata, mas o tiro sai pela culatra e o personagem de Hamm fica insuportável. Outro que é difícil de engolir é o personagem de Foxx, ele tenta reprisar seu personagem em Quero matar meu chefe, mas aqui não passa de um cara chato, que só faz bullying e não tem redenção nenhuma, nenhuma qualidade, é só um sujeito desagradável.
            As cenas de ação são eletrizantes. Pensei que teria muito mais cenas automobilísticas do que teve, porém as poucas foram bem executadas sem ser tão exageradas que beiram ao ridículo. Foi um ótimo trabalho de dublê também.
           Baby Driver tem todos os elementos para ser só mais um filme de carros bonitos que correm bastante ao som de uma musica legal e mesmo com um roteiro simples sobre um garoto que apenas quer sair da vida do crime e fugir com a namorada, ele consegue ser muito melhor do que franquias como Velozes e furiosos. A diferença entre esses filmes é a boa direção, e o bom planejamento das cenas juntamente com as musicas escolhidas, casando esses dois elementos e dando sincronia a cada cantada de pneu.

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