segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Review Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer (Livro e filme)


          Eu não sei o que machuca mais, um livro totalmente fantasioso com felizes para sempre e casais perfeitos ou um livro realista que esfrega na nossa cara que a vida é uma bosta. Quando adolescente eu li muitos dos “fantasiosos” principalmente romances, mas ultimamente estou lendo livros com assuntos mais pesarosos e cotidianos. E sério, ainda não sei o que machuca mais. O fato de não ter aquela realidade idealizada ou de conhecer aquele sofrimento tão real retratado no livro.
            Eu, Você e a Garota que vai morrer é um desses da segunda opção. Você começa a ler já sabendo que vai sofrer com a historia. A introdução do livro já entrega todos os pontos ruins (ou seriam bons?). Por vezes você acaba se confundindo e achando que aquilo é uma biografia, até por que o livro é narrado em 1° pessoa e o personagem principal antecipa alguns fatos e conversa com o leitor. Mas não é uma biografia, talvez só um autor muito parecido com seu personagem.
           Escrito por Jesse Andrews, este é um livro sobre a amizade de Greg com Rachel, ela tem câncer terminal e ele é obrigado pela mãe a dar uma força a menina. Com a ajuda do melhor amigo dele Earl (que ele chama de colega de trabalho) eles vão fazer (ou pelo menos tentar) um filme caseiro sobre Rachel. Já que ele e Earl passavam seu tempo fazendo filmes (muito ruins, nas palavras deles)
            Assim como no filme 500 dias com ela, esse também já começa com um aviso que essa não vai ser uma historia romântica, eles não vão se apaixonar como em A culpa é das estrelas e o amor vence no final. NÃO, eles são apenas amigos e permanecerão assim. Até pensei que teria alguma faísca entre os dois, mas realmente não rolou nada. Até por que Greg é apaixonado por uma amiga de Rachel, aliás, ela que dá a idéia para fazer o filme.
O livro tem muitos pontos positivos. Um deles é que a maioria das conversas é em forma de roteiro. Uma idéia bastante original. Pra quem quer iniciar no ramo e não sabe como fazer um roteiro, esse livro é uma boa opção. E até a idéia de fazer filmes é muito atrativa, confesso que esse fator foi o que me atraiu para Lê-lo. Vários dos diálogos são bem construídos e as questões levantadas são divagadas de forma bem divertida por Greg. Ele é espontâneo e extrovertido, mas apenas naquele mundinho que vive (coisa de gente tímida, sei bem o que é isso) o problema é que ele não expressa suas emoções e as vezes parece não sentir nada por conta disso. Na escola ele é amigo de todo mundo mas ao mesmo tempo de ninguém, É aquele cara que cumprimenta todo mundo mas não pertence a nenhum grupo. Pessoas assim podem ser bem solitárias. Mas não Greg, já que ele fazia isso justamente para manter distância das pessoas e não sofrer bullying. Earl já é diferente em alguns aspectos, ele também é antissocial como seu melhor amigo mas é expressivo, fala palavrão, briga, grita, perde a paciência rápido, ele não guarda nada para si, ele joga tudo no ventilador e isso é tudo o que Greg gostaria de ser, muitas vezes ele fala no livro que Earl é a melhor pessoa, e apesar de tudo é verdade, ele é meu personagem preferido do livro. Rachel também, mas sua personagem não foi muito desenvolvida, não deu para saber muito sobre ela, só que ela tinha vários posters do Hugh Jackman e do Daniel Craig na parede. E seu mau humor graças a quimioterapia. Ela era uma menina legal mas de poucas palavras e bons amigos. Pena que não consegui simpatizar com Greg. Ele é um bom menino mas seus pensamentos de adolescente e sua aparente falta de coração o torna nem um pouco cativante. Você é conduzido durante todo o livro por aquele garoto meio idiota (disfarçado de cool) e quando no final ele demonstra emoção aquilo não te afeta. A narrativa em 1° pessoa também pesa nessa questão, você se torna tanto ele que quando você recebe a noticia: Rachel morreu! Você não chora e não fica triste, surge apenas uma mini pontada no coração mas é vida que segue... ou melhor... narrativa! Tão diferente daquele choro incessante de quando virei a pagina e li: Augustus Waters morreu.... Onde houve soluços e nariz molhado. Não estou tentando comparar as obras afinal as duas tem seus méritos. As duas são boas por que são completamente diferentes, só são associadas graças a doença.
            Esse é um livro diferente e especial, não é o melhor livro que você vai ler na vida mas vale a pena ser lido. Tem ótimos coadjuvantes e ótimas referências cinematográficas. Já tem filme dele, aqui foi exibido no festival do Rio e teve boas críticas nos festivais de cinema mundo a fora. Antes de ler eu assisti o trailer, logo fui motivada pelo mesmo, mas quando li desanimei um pouco para o filme. Sabe-se lá Deus porquê. Não o achei uma das minhas piores leituras. Acho que só me choquei com o total pessimismo. O final é o mais desanimador possível, vê-los seguindo em frente na questão dos filmes caseiros deu uma sacolejada do tipo: acorda pra realidade! E talvez isso tenha sido pior que a morte de Rachel. Recomendo como presente para os meninos. É uma ótima iniciação na literatura, afinal o protagonista bobo, brincalhão e de mente poluída representa a maioria dos adolescentes. (Isso não é uma crítica, apenas uma observação)


FILME


            Com os recursos do áudio visual tudo fica mais tocante e assim é o filme. O autor do livro também é roteirista do filme. Ele é muito fiel ao livro e as partes que obviamente não são, foram modificadas para melhor. Tudo que me incomodava no livro foi repaginado para o filme. No filme Greg não é um completo idiota insensível como no livro. Ele é carinhoso (não exageradamente, o que é ótimo) e bastante atencioso com a menina. Coisas que eu não consegui captar durante o livro. No filme Greg não é um garoto gordinho, é só desajeitado e com cara de nerd. Quem o interpreta é Thomas Mann (Projeto X) e se mostra bastante competente e emotivo. Rachel também é muito bem interpretada por Olivia Cooke (Bates Motel) uma menina linda que fisicamente algumas vezes me lembrou a atriz brasileira Juliana Paiva. Earl é interpretado pelo novato Rj Cyler que mandou muito bem na sua estreia. Mesmo com a cara de mau humorado em todo momento, mas isso era atributo do personagem. Além de outros nomes conhecidos do humor, como o pai de Greg interpretado por Nick Offerman (Parks and Recreation) e Molly Shannon (SNL) que faz a mãe da Rachel. A mãe de Greg é Connie Britton (American Horror History) e o professor que eles amam é feito por Jon Bernthal (The Walking Dead) todas escolhas bem acertadas. O final do filme rende muitas lagrimas, quem leu o livro pode estranhar um pouco (eu estranhei e chorei horrores) mas mesmo assim foi a melhor forma de conclui-lo.  A dor precisa realmente ser sentida! A mensagem de valorização da vida e da amizade fica implícita, e ambas as obras (livro e filme) não precisam ficar ditando tais coisas o tempo todo. O filme é mais recomendado para as meninas a não ser que você queira despertar alguma sensibilidade naquele menino para quem você deu o livro. Pois o filme é melhor do que o livro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Review Victor Frankenstein 2015


         Quando vi o primeiro filme do Frankestein, lá de 1931, fiquei completamente fascinada. Eu era mais nova e dificilmente um filme tão antigo prendia a minha atenção. Mas esse foi um dos únicos naquela época que fizeram isso. Uma nova refilmagem baseada na obra de Mary Shelley foi feita ano passado (2014) e não causou muito impacto. Victor Frankestein provavelmente foi feito no intuito de tentar trazer qualidade e visibilidade a uma das obras mais importantes do cinema e da literatura. Mas parece que ainda não foi dessa vez....
         O personagem principal de Victor Frankestein é Igor o ajudante ex corcunda do médico. Eles se tornam grandes amigos até Igor perceber que as coisas estão fugindo do controle.

          Focar em Igor é um elemento totalmente novo, porem arriscado. O personagem é interessante em sua concepção mas não consegue ter forças para ser o centro. Daniel Radcliffe se livrou de Harry potter mas ainda não consegue mostrar ao que veio. Sua atuação é razoável. Na verdade o filme é feito de atuações razoáveis, até mesmo James Mcavoy que é um ótimo ator poderia ter explorado melhor suas emoções como o explosivo Victor. O único que se sobressai é Andrew Scott (Sherlock) que faz um detetive determinado a descobrir os segredos da dupla de amigos.


          O diretor do longa Paul Mcguigan dirigiu quatro episódios de Sherlock e quem assiste a série não pode deixar de notar as semelhanças. Além de ter três atores da mesma no filme. O Andrew que é o vilão Moriarty, Mark Gatiss que é o Mycroft irmão de Sherlock e Louise Brealey a Molly Hooper que é apaixonada pelo detetive. (E quem não é?) e não é só no elenco que se nota essas semelhanças, a forma como é filmado parece um episódio de Sherlock. As cenas em que Igor consegue ver através do corpo da moça trapezista que é seu interesse romântico remete muito a série, aquele raio x visual é como o desvendar dos crimes. A composição dos personagens também é parecida, mesmo que indiretamente. Victor é egocêntrico e sociopata como Sherlock e Igor é o melhor amigo devoto que dá corda para as insanidades assim como John Watson. Nesse sentido o diretor não teve problema algum, ele foi ótimo na direção dos atores. Daniel e James tem química em cena (não como Holmes e Watson mas tem)
          Victor Frankestein é mais uma das tentativas de trazer o monstro tão querido de volta. Lutando contra todas as probabilidades. Uma delas é a falta de interesse da audiência de ver mais uma vez essa história sendo retratada, principalmente os jovens. O filme conta com bons momentos, como a luta com o macaco morto e a criatura principal, dessa vez remasterizada e mais quadrada. Sem aquela feição triste do primeiro filme mas dessa vez com uma feição furiosa mas também com momentos absurdos, o maior deles é a cura caseira da corcunda de Igor, foi uma cena totalmente nojenta, daquelas que te faz querer vomitar a pipoca. Não é o tipo de filme imperdível que você precisa assistir no cinema, dá muito bem para esperar estrear no telecine. Mesmo assim um filme legal para se assistir num sábado ou domingo a noite.

Clássico do dia: Cidadão Kane


          É muito chato ver um filme com um grande mistério já sabendo a resolução do mesmo. Nas minhas andanças internéticas por meio de críticas e vlogs de cinema eu já havia esbarrado muitas vezes com Cidadão Kane. Muita gente o considera a maior obra prima do cinema, portanto não poderia deixar de inclui-lo na minha listinha de clássicos para assistir, o problema é que fui atingida por spoilers sobre o filme, um deles era sobre quem ou o que era “Rosebud” pra minha sorte recebi spoilers equivocados de críticos que não observaram bem quem ou o que era Rosebud.
              Cidadão Kane é um filme de 1941 que começa a partir da morte de Charles Foster Kane, um magnata podre de rico que morre com um globo de neve nas mãos e uma palavra nos lábios: Rosebud! Depois de sua morte o jornalista Jerry Thompson é encarregado de descobrir quem afinal é essa tal de Rosebud e para isso ele entrevista a segunda ex esposa de Kane, seus amigos do passado e seu mordomo. Nessa trajetória ele começa a saber mais sobre a vida desse homem fascinante porem corrupto. De origem humilde mas um adulto rico, dono de várias propriedades, inclusive de vários jornais.

          O começo da trajetória de Kane é apresentada em forma de documentário para posteriormente ser desenvolvida como uma película normal. Alguns desfechos importantes serão contados nesses 10 minutos iniciais de documentário por isso o telespectador pode se sentir perdido quando no decorrer do filme eles não surgirem. O filme não segue uma ordem cronológica. Os flashbacks não são lineares e se isso pode confundir você desse tempo moderno imagina quem assistiu nos anos 40 quando essa técnica era totalmente nova. Esse filme foi um verdadeiro marco do cinema por proporcionar várias técnicas inovadoras. Além dessa, houve mudanças na forma como se contava a história, com a câmera que nos leva para um tour nos cenários. Na primeira cena já somos apresentados a essa técnica. A forma como ele filma o teto dos cenários, os enquadramentos faciais e as sombras presentes nos momentos onde kane mostra seu pior lado. E é claro o fator principal: se Kane estava sozinho na hora de sua morte como os outros personagens ficaram sabendo das suas últimas palavras? O que pode parecer uma falha, na verdade é um tipo de interação do filme com quem está assistindo, como se quem está do outro lado da tela tivesse contado esse segredo. E isso tudo da mente de Orson Welles, na época um jovem de 25 anos que vinha do teatro. É ele que interpreta o protagonista em todas suas fases. E por isso também podemos aplaudir o trabalho de maquiagem excepcional. Ao assistir me perguntava se era o mesmo ator conforme o personagem envelhecia. Além de diretor e ator, Orson também produziu e escreveu o filme. Certamente uma das mentes brilhantes da sua época. 


          Cidadão Kane abre os olhos para a podridão dos bastidores do jornalismo e como a barganha manipula o conteúdo apresentado. Na época muitas pessoas criticaram o filme por causa disso e saiam dos cinemas na metade da sessão. Kane não era como os galãs cheio de boa intenção da época, ele era manipulador, egocêntrico e ambicioso. Podemos até justificar essa sua última característica pela sua infância pobre onde saiu da casa dos pais para ter uma boa educação se tornando um milionário. Em sua fase adulta se interessou pelo jornalismo e decidiu fazer isso sua profissão, se dedicava tanto que arruinou seu primeiro casamento. Logo se engajou na política mas perdeu o cargo por causa de um escândalo. Acostumado com todos fazendo o que ele desejava forçou sua segunda esposa a uma carreira que ela não queria e a perdeu também. Morrendo sozinho em seu castelo Xanadu. Em certos momentos o sentimento por ele é simplesmente de pena. Afastou todos que se importavam com ele por puro capricho, ele queria reger a vida das pessoas já que parecia reger o mundo. O clássico homem que é rico mas pobre de espirito e de paz.

Sobre Rosebud.... (spoilers)

Assim como tudo que ele prezava em sua vida era material, Rosebud não poderia deixar de ser também e era um trenó. Lembranças de uma infância realmente boa. Na neve, com sua família pobre e feliz. Junto do trenó o tal globo de neve despertavam a melhor parte dele. Aquela que ninguém conheceu e que jamais poderia recuperar graças a sua ganancia e ostracismo. 

Clássico do dia: Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa)


          Outro clássico que pude apreciar graças a Netflix foi Annie Hall. No português noivo neurótico, noiva nervosa. Sim um título horrível e completamente nada a ver, mas this is Brasil! Esse é um filme de Woody Allen onde ele é ator, diretor, roteirista, produtor e auxiliar de serviços gerais. Todo mundo sabe que ele faz praticamente tudo em seus filmes e mesmo assim corre dos créditos, se recusa a receber os prêmios por isso, prefere ensaiar com sua banda. Prioridades!
         Annie Hall apesar do título não é sobre a mocinha em questão, e também não é totalmente sobre o mocinho esquisito Alvy Singer, personagem de Woody que é um judeu comediante cheio de manias e que faz analise há 15 anos. O filme é sobre relacionamentos. Ele conta um pouco dos relacionamentos passados de Alvy, e onde e porque fracassaram e dá uma pincelada em alguns de Annie também que é uma cantora. O foco mesmo é na dinâmica do relacionamento dos dois.

         Eleito como um dos melhores e mais divertidos roteiros da história, allen não queria fazer graça com esse filme mas é complicado não utilizar do humor para amenizar os problemas dos relacionamentos. Ele queria 99% drama e 1% humor mas quem já viu sabe que não é isso que acontece. Ele entrega um roteiro original e muito bem escrito, que conversa com seu telespectador. Esse é um recurso muito utilizado por ele, ele está focado em cena mas de repente olha para a câmera e solta uma intriga. Uma das melhores cenas do longa e que personifica essa técnica é quando está Alvy e Annie numa fila de cinema e o cara atrás, um professor de faculdade, começa a falar mal de uma determinada pessoa (não me recordo se era um escritor ou diretor de algo, ou os dois) incomodado o protagonista começa a falar mal do chato da fila com o telespectador e logo em seguida chama o homem que está sendo criticado em cena. Ele diz: como seria se isso acontecesse na vida real? Ai você está lá na fila do cinema criticando o Michael Bay ou um ator (a) ruim e de repente ela surge ao seu lado te cobrando uma explicação. Seria no mínimo constrangedor. Mas na tela foi uma técnica bastante interessante.


          O inovador do filme é que ele é uma visão realista do que acontece nas nossas vidas. Ele embarca em vários planos secundários para nos mostrar as relações. A família conturbada de Alvy, cheia de gritaria e intolerância (isso lhe soa familiar?) ele vivia numa casa embaixo de uma montanha russa, o que é fácil de aceitar quando pensamos naquelas pessoas que vivem ao lado de linhas de trem com as maquinas passando, fazendo barulho e sacudindo tudo. Ele passa a morar junto com Annie e as relações se estreitam pois começam a conhecer verdadeiramente um ao outro. Nada mais é tão magico como antes (e isso lhe soa familiar?) os meios de trabalho que não são nada glamorosos. Annie canta num bar onde ninguém presta a atenção nela, continuam conversando, pedindo bebidas e quebrando coisas. O flashback pelos relacionamentos passados e aquela amostra grátis e dolorosa da onde foi que eles erraram. Além das manias irritantes do protagonista. Ele tem horror a frutos do mar (vivos), não entra numa sessão de cinema quando o filme já começou (mesmo que só tenha 3 minutos de começado), não toma banho em banheiros públicos, não entra no palco depois de outro comediante, tem paranoia com as coisas que as pessoas falam, acha sempre que alguém o insultou e etc... e o mais bizarro é que tirando a parte do comediante eu me identifiquei com todas as outras coisas.
          Noivo neurótico, noiva nervosa ganhou 4 categorias no Oscar. Melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro (Woody e Marshall Brickman) e melhor atriz para Diane Keaton, (com quem Woody teve um relacionamento e atuou junto diversas vezes) esse é um daqueles filmes cults divertidos que cutucam nossa mente. Como sempre Woody allen faz.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Clássico do dia: Aconteceu naquela noite


                Esse é o começo de mais uma sessão aqui no blog e também é algo que sempre quis fazer. Tenho um grande apreço por filmes clássicos, na verdade amo os filmes antigos mas me faltava tempo para assistir aos que ainda não vi e como estou de férias, espero assistir o maior número possível e resenha-los para vocês.
        O primeiro da minha lista foi Aconteceu naquela noite, um filme de 1934, protagonizado por Clark Gable e Claudette Colbert. Ele ganhou 5 Oscars, sendo todos nas categorias principais, Melhor diretor, ator, atriz, roteiro e filme. Um fato curioso é que a atriz Claudette não iria ao Oscar pois havia odiado o filme mas ao saber que ganharia compareceu a cerimonia. Essa mulher provavelmente não tinha um gosto apurado para filmes.
              Happened one night é o precursor das comédias românticas. Tudo que vemos hoje em dia foi originado dele e mesmo tendo 81 anos de existência ainda é uma das melhores comédias românticas já feitas, se não for a melhor graças ao seu pioneirismo.
O filme é sobre Ellie uma moça rica e mimada (como o próprio Peter a chama) que foge do pai para se casar com um homem que ele desaprova. No caminho para Nova York encontra Peter Warne um jornalista charlatão que a usará como inspiração para uma matéria de jornal que mudará sua vida.

                 O roteiro do filme é simples mas objetivo. O que é ótimo e também original, não é como esses filmes românticos de hoje em dia que os protagonistas sempre escondem algo do outro e a revelação se torna o clímax. Neste o protagonista é direto sobre a matéria do jornal e mesmo assim eles desenvolvem uma amizade e confiança pelo outro. E o filme se passa bastante tempo dentro de um ônibus de viagem, enredo que levou muitos filmes anteriores ao fracasso mas não esse que é originado do livro “Bus Night” as cenas do ônibus são divertidas mas as cenas que ocorrem nos quartos alugados pelo caminho e na estrada a procura de carona também são impagáveis. Inclusive é deste filme que os desenhos do pipa pau e tantos outros se inspiraram para a cena em que se levanta o vestido e se mostra uma perna feminina bem sensual para conseguir carona.


              Por falar em sensualidade os protagonistas são muito belos. Claudette parece aquelas bonecas de porcelana que existem na casa das nossas avós. A carinha redonda, os olhos grandes, o cabelo bem curto e as bochechas avantajadas. Clark era o crush das vovós e bisas! Até então só tinha visto um filme com ele, E o vento levou e não entendi bem na época o porquê de tanta paixão por ele. Nesse eu entendi! Ele tem um time muito bom pra comédia e misturada as cenas românticas ele se torna um colírio para os olhos em cena. Alto, bonito, charmoso e engraçado. Mesmo em seus momentos de aspereza com Ellie. Por causa da censura da época o filme não tinha cenas ardentes. Mesmo quando eles dormiam no mesmo quarto, a sensualidade demais era freada. Se mostrava pele (não muita é claro) nos momentos de troca de roupa mas nada além disso e não espere por um beijo no final, eu esperei e fui trouxa.
              Com ótimo roteiro, atuações e direção de Frank Capra esse é um filme bastante atemporal e a frente do seu tempo. Com uma personagem feminina frágil mas ao mesmo tempo forte e determinada. Agrada a qualquer público, mesmo aqueles que tem preconceito com filmes preto e branco. Deixem essa muralha de Jericó cair e assistam a essa verdadeira obra prima do cinema.

Obs: assisti no Netflix.

sábado, 28 de novembro de 2015

Review Jogos Vorazes - A esperança O final


          É curioso ver que de todos os filmes da saga, esse último foi o menos rentável. O que é meio inacreditável para o encerramento de uma obra tão importante e tão idolatrada como jogos vorazes. Aqui no Brasil está na liderança e continua fazendo muito sucesso mas nos Eua foi inferior ao anterior e aos demais (o 1º filme ficou na liderança absoluta por muitas semanas) e inclusive seu pôster que destaca a figura de Katniss com arco e flecha foi proibido em Israel. Isso mostra o quanto Jogos vorazes não é apenas filmes para adolescentes, digo e repito isso, ele é muito mais! Ele não é sobre escolher um cara e desfazer o triangulo amoroso ele é sobre lutar por uma causa.
      Este último começa exatamente da onde parou. Katniss (Jennifer Lawrence) observando Peeta (Josh Hutcherson) fora de si e com raiva dela. Para tentar botar as coisas no eixo e para colocar um ponto final em tudo ela planeja matar Snow (Donald Sutherland) a figura invencível que lhe causou tanto sofrimento. Para isso ela é enviada pela presidente Coin (Julianne Moore) ao distrito 2 para fazer aliados contra o presidente. Com seus próprios planos em mente katniss recebe a ajuda de seus amigos Gale (Liam Hemsworth), Finnick (Sam Claflin), Cressida (Natalie Dormer), Pollux (Elder Henson) e de Peeta que apesar de debilitado se junta ao grupo por ordens superiores.

          Este é bem melhor do que o anterior que foi muito mais falado e muito mais político. Talvez isso tenha afugentado as pessoas e feito elas recuarem para poder ver este. A esperança- O final inclui mais aqueles personagens que aprendemos a gostar. Como o Finnick por exemplo que é bastante interessante e só teve momentos de destaque no Em chamas que foi quando surgiu. Neste vemos ele se casando e em ação (não na lua de mel como muitas meninas queriam rs) e o Pollux também teve certo destaque, ele foi o guia da expedição pelas profundezas onde habitavam os bestantes e teve uma cena emotiva que destacou as habilidades de Elder, tão diferente do seu papel como Foggy na série do demolidor.


          O elenco parece escolhido a dedo, todos têm talentos para mostrar, mesmo que alguns mais do que outros. Sempre peguei muito no pé de Liam e Sam. Liam continua apático para mim mas Sam está muito melhor, ele é o tipo do ator que vai evoluindo e poderá ter uma grande atuação em breve. (Assim espero) Josh é um bom ator mas sua cara de sofrido neste filme cansa um pouco, muito graças ao fato de estar sempre se controlando para não matar a mulher que ama. Assim como Jennifer vencedora do Oscar mas que neste faz cara de paisagem em muitas cenas, inclusive em uma cena em que se esperou uma baita reação dela, reação que só ocorreu bem mais tarde e trouxe a cena mais emotiva dela com direito a choro livre, objetos quebrados e muita baba. Maybe a cara de paisagem seja reflexo da própria postura exausta de Katniss, da heroína que já está cansada de lutar e que quer voltar para casa com sua família ou maybe seja a própria atriz que já está no piloto automático, doida para se livrar desses filmes. Uma coisa que me incomoda bastante em katniss é sua indecisão amorosa. É fato que ela não é muito de romance mas ela parece usar Gale e Peeta. Neste ela usa mais seu amigo de infância e continua o beijando sem ter vontade só para que ele fique por perto. Pelo menos no final ela se decidiu e terminou da forma mais clichê possível. Numa postura irreconhecível para ela. Porém até em seu último eu te amo ela parecia indecisa e forçada.
          Esse é o fim de uma das sagas mais significativas da atualidade. Terminando com ótimas cenas de ação, as cenas no túnel foram de tirar o folego e da lama negra também. A capital continuava a dar seu show. Ela sai e em seu lugar fica uma grande lacuna do gênero. Divergente é bem inferior e maze runner apesar de muito boa ainda não atingiu o poder e a notoriedade dessa. E Katniss é definitivamente uma personagem extremamente poderosa e sem querer querendo revolucionária. Pois ela nunca foi engajada, caiu ali de paraquedas e foi obrigada a lutar uma guerra que não era sua. Ela só queria o bem daqueles que ela amava e lutava por que eles estavam inseridos na luta. Ela merecia um final muito mais digno mas teve o que acredito que foi o melhor para ela e o que ela queria. foi diferente da Bella de crepúsculo a saga inteira mas no final se tornou ela. mesmo assim...

Sentiremos falta de Jogos Vorazes.

Review Master of none


          Master of None é como Unbreakable Kimmy Schmid, só que menos divulgada ainda! Assim como a série da doidinha da kimmy, Master é divertida e possui um texto muito inteligente. Daqueles que você pode até não rolar de tanto rir mas que com certeza você dá aquele sorriso por ter captado a referência. O humor das duas podem ser semelhantes mas suas propostas são bem diferentes.
          Master of none é uma série da Netflix criada e estrelada por Aziz Ansari (de Parks and recreation) e nela conhecemos Dev, um ator que chegou a casa dos 30 anos e começa a se questionar sobre coisas a sua volta, coisas que ele vive ou que deveria estar vivendo como casamento, filhos e ter uma carreira consolidada como ator em Nova York.
Como criador da série, roteirista, produtor e janela para as crises existenciais dá para perceber que Aziz usufruiu de toda liberdade que teve para discutir todas as suas inquietações. Cada capitulo é sobre assuntos delicados que as vezes não queremos discutir. E o mais legal é que ele não problematiza em apenas algumas cenas, ele coloca o problema no título e durante o episódio discute ele com sensatez e bom humor.  Quem assiste não fica desconfortável, apenas admite que aquelas coisas realmente acontecem e por deixarmos elas acontecerem nos tornamos tremendos babacas. Ele tenta mostrar os dois lados da coisa. O lado de quem sofre com determinado preconceito e daquele que pratica algo preconceituoso e as vezes nem sabe que está praticando. Se você estiver no segundo grupo e após as questões levantadas no episódio mesmo assim se sentir ofendido repense suas atitudes pois deve estar fazendo muita merda por ai....

          Um dos episódios é sobre vida após os 30, quando a sociedade tenta nos impor o casamento e os filhos. Todos tentando nos convencer de que se estar casado e com filhos é sempre ótimo e você está sempre feliz. Quando na verdade alguns casais usam isso de fachada mas vivem vidas miseráveis. É muito engraçado como Dev tenta lidar com os filhos dos amigos e em apenas um dia com eles se sente destruído. Me identifiquei bastante com esse episódio (na verdade me identifiquei com a maioria... rs) tenho 23 anos e me sinto passada para trás pelas meninas de 18 anos que eu conheço e que já são casadas e outras na minha idade que tem filhos. E não são poucas! É muito triste ter menos de 30 e se pegar pensando nessas coisas. Enquanto essas meninas Já tem uma família (mal planejada é claro) aqui estou eu ansiosa por Star Wars – O despertar da força! Ta chegandooooooo!


          Os outros episódios são sobre nossos pais, que tem muita história para contar e nós pouca paciência para ouvir. Os idosos, nossos avós que cuidaram da gente e mesmo assim insistimos em larga-los em asilos. Os indianos, episódio super pessoal do ator que critica a falta de papel para as etnias diferentes, nesse caso os indianos que sempre atuam em papeis estereotipados, (na retrospectiva inicial senti falta de alguns personagens indianos) o meu atual interesse pela índia me fez adorar esse episódio <3 os altos e baixos de morar junto, de como depois de um tempo se deixarmos tudo esfria. A busca por uma carreira promissora e por seus sonhos e claro ele não poderia deixar de falar do feminismo, trazendo um episódio delicado sobre como as mulheres se sentem coagidas e desprotegidas. E de como alguns homens de bem as vezes nem percebem suas más atitudes. Aposto que abriu os olhos de muitos homens sobre nossa condição. É tão real a cena em que Dev e seu amigo saem do bar e mesmo pegando atalhos perigosos chegam em casa em segurança. Mas uma moça sai do mesmo bar e é perseguida por um cara. É claro que poderia acontecer algo com eles, poderiam ter sido roubados, nova York também é perigosa, mas a mulher corre um risco muito maior, ela pode ser roubada, estuprada e morta. É o risco que infelizmente estamos propensas a correr.
           Os amigos de Dev são um grupo bem diversificado, que emana estereótipos pra cada ponta. Dev, o indiano, Brian o asiático inteligente, Arnold o gigante desengonçado e esquisito que é péssimo com as mulheres e Denise a amiga lésbica. A namorada de Dev é Rachel, uma menina doce e divertida do velho e bom estilo Zoey Deschanel de ser, a hipster descolada.
          Apesar de poucos terem ouvido falar dessa série definitivamente ela precisa ser vista. O bom texto e as boas atuações fazem dessa uma das melhores surpresas da netflix esse ano. Só ela traz um tipo de humor “final feliz” sem ser conto de fadas. Do tipo Isso deu errado então vida que segue, cada fim é um novo começo e o que importa é ser feliz.