Existem
livros que nos dão orgulho de se ler, este é um deles. Nele não há um texto
sofisticado e difícil de ler, pelo contrário, ele apresenta uma ideia (ou
milhões de ideias em uma só) tão simples, mas ao mesmo tempo um conceito tão
rico que já no começo do livro podemos nos identificar.
O
livro fala sobre o movimento Vamos Juntas? Criado na internet e que rapidamente
ganhou força. Quem criou esse movimento é a Babi Souza após observar o medo e a
insegurança que as mulheres tinham em ficar sozinhas em determinados lugares
desertos e perigosos, como no ponto de ônibus, por exemplo. (Lugar da onde veio
sua inspiração para criar o movimento) se há mulheres ao nosso redor passando
pelas mesmas coisas e sentindo a mesma insegurança que a gente porque não
podemos ir juntas? Ou fazer companhia uma para a outra?
Sou
uma grande fã do universo cinematográfico da Marvel. Por mais que as pessoas digam
que os filmes são infantis, rasos e que são humorados até demais, eu gosto
muito e sempre me gera uma hype imensa quando está prestes a sair mais um
filme.
Por
isso estranhei a minha falta de empolgação inicial com Civil War. Não estava
colocando muita fé nesse filme. Nem o fato dele ser o terceiro filme do capitão
America, sucessor do bem sucedido Soldado Invernal, que é um dos melhores
filmes da Marvel estava elevando minha empolgação. Mas ai que eles lançaram o
trailer com o Homem Aranha e ai senhoras e senhores... A fã louca da Marvel
ressurgiu. A cena era minúscula. Só no final do trailer e eis que um singelo
“Hi Everyone” do cabeça de teia foi o suficiente para a chama reacender.
Imagine
a minha surpresa quando começou a pipocar só criticas positivas sobre o filme.
Todos estão considerando esse como um dos melhores filmes da casa das ideias.
Sim, eles disseram isso do anterior, mas eles estão falando a verdade de novo.
Quem diria que o Capitão América, um herói tão sem graça e que teve um primeiro
filme muito do mais ou menos traria grandes filmes como esses.
Primeiro
tenho que pedir que esqueçam o livro. Eu comecei a ler (ainda não terminei)
semanas atrás e fui vendo que ele estava extremamente diferente do que estava
acontecendo nos trailers. No livro temos os X-men, o Quarteto fantástico, miss
Marvel e outros heróis até então desconhecidos para quem não lê quadrinhos. Como
o Golias que eu achei muito interessante. E por conta dessa diversidade de
heróis e a conhecida divisão cinematográfica que rola por conta dos direitos
autorais dos estúdios nunca seria possível juntar todos eles em um filme. Já
foi difícil trazer o Homem Aranha, seus direitos estão com a Sony e ele veio
emprestado para a Marvel. Por isso não vá esperando semelhança com o livro e os
quadrinhos, a única coisa parecida é o nome, de resto não tem nada a ver. O
próprio Homem aranha que é figura constante no livro, não aparece tanto no
filme. Mas vamos falar de coisa boa? Vamos falar do filme de Civil War... (não
que o livro seja ruim, na verdade ele é ótimo, diferente, mas ótimo)
Guerra
Civil foi dirigido pelos irmãos Anthony Russo e Joe Russo que também dirigiram
Soldado Invernal e estarão na direção de Vingadores: Guerra infinita parte 1 e
2. Já podemos esperar coisa boa vindo por ai. Nesse terceiro filme do bandeiroso
os vingadores se dividem entre aqueles que aceitam o controle do governo e
aqueles que não.
O
roteiro sabe mesclar muito bem os momentos sérios, políticos e dramáticos com
as cenas engraçadas e os diálogos bem humorados. Os argumentos de cada equipe
são tão coesos que é difícil escolher um lado. Até porque por mais sério que o
filme seja em alguns momentos você enxerga aquilo como um confronto de família
(até há um motivo familiar que deixa todos chocados) como uma briga entre
irmãos, você sabe que eles podem brigar feio, mas nada que possa resultar em
algo grave, pois independente da ideologia eles são amigos e amam um ao outro.
Os
atores estão brilhantes em seus papeis. Robert Downey Jr é um ótimo ator
sempre e aqui ele consegue se sair
melhor ainda, muito mais emotivo e menos sarcástico. Chris Evans que é apenas
um ator esforçado aqui tem seu melhor desempenho até agora, agora sim está com
postura de líder. Scarlett Johansson está mais badass do que nunca, reforçando
nossa torcida por um filme solo dela, Anthony Mackie é sempre uma figura
simpática, Sebastian Stan (muito melhor neste) com um Soldado Invernal mais
humano. Pena que a Elisabeth Olsen, Jeremy Renner, Paul Bettany e o Don Cheadle
(talvez nem tanto o Don) não tenham
tanto destaque assim. Tirando o gavião que sempre me pareceu desinteressante,
os outros são ótimos personagens. Mas os grandes destaques realmente são o Paul
Rudd que trás um homem formiga cheio de cartas na manga (por causa de uma cena
ele se torna uma das melhores coisas do filme) o Chadwick Boseman como Pantera
Negra, a introdução do personagem foi feita de forma tão incrível que nos deixa
com gostinho de quero mais, além de ser um personagem extremamente diferente,
ele não é um cara comum, ele é da realeza e sua forte presença comprova isso e
o maior destaque é sim o Spider. Que não tem muitas cenas, mas está presente
nas melhores. Aliás, o fato dele estar presente já melhora a cena. Não posso
afirmar que Tom Holland é o melhor Homem Aranha do cinema, ele está ótimo, mas
acho cedo pra afirmar isso. Ele é uma mistura do nerd dos filmes com o Tobey maguire
e o descolado dos filmes com o Andrew Garfield. Ele é carismático e divertido.
Parece uma criança no parque de diversões, se impressiona com tudo. Sua roupa
num primeiro momento pareceu computadorizada demais, mas depois quem assiste se
acostuma.
A
impressão é que o filme não tem vilão. O Barão Zemo do Daniel Bruhl é tão
apático que nem suas motivações convencem. Martin Freeman como Everett Ross é
um total desperdício de talento, ele é um ótimo ator, mas perdeu tempo num
personagem que poderiam dar a qualquer ator menos conhecido, pois não faria
diferença nenhuma. Até a Tia May da Marisa Tomei teve mais relevância do que
ele e olha que ela só teve 10 minutos em cena (ele deve ter tido uns 15
minutos).
Guerra
Civil foi uma gratificante surpresa. Não é só um ótimo filme de herói, é um
ótimo filme e ponto. Divertido como só a Marvel sabe fazer (parece que a Marvel
ganhou mais uma vez da DC) e agora com a hype restaurada que venham os
próximos...
É extremamente difícil falar sobre
algo de que gosto muito. Seja filmes, séries e livros nem se fala. Terminei de
ler esse livro pela segunda vez e não consegui escrever um review da primeira
vez (talvez por que ainda não tinha o blog, ou pelo motivo acima não me lembro)
e agora vou tentar escrever uma resenha profissional e coerente, ao mesmo tempo
em que quero expressar o quanto esse livro da Jojo Moyes marcou minha vida.
Encontrei esse livro por acaso.
Estava cansada de romances sobrenaturais e romances água com açúcar do Nicholas
Sparks (que era tudo o que eu lia na época) ai um belo dia em um site onde
costumava ler livros on line me deparei com uma capa muito bonita, foi amor à
primeira vista, posso dizer que julguei o livro pela capa (mal sabia eu que o
mais bonito era a historia contada dentro do livro) e posteriormente gostei
muito da sinopse:
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas
ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um
avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha
como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas,
e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se
importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro
emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um
tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado.
Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e
esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo
parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse
sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida.
E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do
outro. Como eu era antes de você é uma história de amor e uma história de
família, mas acima de tudo é uma história sobre a coragem e o esforço
necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado.
Ok, você pode até achar que essa sinopse é
clichê e que o livro é só mais um pensado pela autora para nos fazer chorar.
Sim a parte em que eles mudam a vida um do outro pode até ser, mas quem lê Como
eu Era Antes de Você percebe que ele é muito mais do que uma historia em que o
cara mal humorado com complexo de Mr Darcy se apaixona pela menina pobre, porem
divertida que vai trabalhar na casa dele. Quem leu sabe que não é bem assim. Me
Before You não é um conto de fadas. Eles são personagens reais e que
conseguimos nos identificar.
O mau humor de Will não é um capricho da
sua personalidade, ele é um tetraplégico que já foi aventureiro, viajante,
namorador e um homem de negócios muito bem sucedido, imagina ser uma pessoa com
esse estilo de vida e de repente se vê arrancado desse seu mundo? O seu
sofrimento é muito real, sabemos que muitos tetraplégicos passam pela mesma
coisa que ele e tem as mesmas dificuldades todo santo dia. A vida deles não é
fácil como a nossa, o corpo deles não responde aos comandos como o nosso. Não
dá para saber a dor, a solidão e a miséria que é viver assim, sofrendo e
dependendo sempre dos outros, ainda mais quando um dia a pessoa foi totalmente
independente. Por isso que quando chegamos à parte em que Lou descobre o
segredo de Will ficamos com raiva dele, mas aos poucos vamos compreendendo o
seu lado. Existem pessoas que conseguem viver assim e sempre buscam a
felicidade em coisas que ainda podem fazer, mas isso não acontecia com Will. Um
filme que gosto muito e também aborda esse tema é o filme Francês Os Intocáveis,
nele Philippe é um milionário (porque sempre ricos?) que é tetraplégico e tem
uma linda e divertida amizade com seu ajudador Driss. Antes mesmo de Driss,
Philippe sabia lidar bem com sua condição e não cogitou ir para diginitas como
Will. Isso porque eles são personagens com personalidades diferentes. Um é mais
forte e aceita melhor do que o outro e são assim com pessoas reais. Will queria
uma vida que nunca poderia ter de volta. Isso me levou a aceitar sua decisão no
livro.
Lou foi o primeiro motivo pelo qual
me apaixonei pelo drama. Ela não era aquela adolescente bobinha e apaixonada
que não sabe nada da vida, ela tem 26 anos, é uma mulher que trabalha desde
nova e não tem regalias na vida, tão diferente das moçinhas dos tais romances
que eu estava habituada. Ela era real, ela era eu. Lou não fez faculdade, mas
trabalha para ajudar os pais em casa. A irmã mais nova tem um filho, então tudo
fica nas costas dela já que a mãe é dona de casa e o pai estava prestes a ser
demitido. Por isso ela teve que aceitar qualquer coisa e foi trabalhar com o
Will. Ele praticamente expande o universo dela. Claro que no começo ele não é
nada amigável e a trata mal, mas aos poucos ele vai se acostumando com a
presença dela e vai gostando de sua companhia. Ele a encoraja a estudar, sair
da cidade pequena que eles moram para conhecer o mundo, se aventurar e até a
ver filmes estrangeiros... Ela reluta, mas aos poucos ele vai transformando ela
e seu modo pequeno de ver o mundo.
Quando
iniciamos a leitura deste livro achamos que ela irá mudar a vida dele, que ela vai
convencê-lo de aproveitar a vida e em seguida de não se matar, e claro que ela
é um lindo acréscimo à jornada final dele, ela também o faz enxergar algumas
coisas, coisas boas que apesar das dificuldades ainda valem a pena, mas nunca imaginaríamos
que seria ele com todas suas limitações que mudaria a vida dela. O que são
movimentos perto das palavras, da inteligência e do poder de persuasão de Will
Traynor? Por isso que ele é sim um dos personagens mais admiráveis da
literatura contemporânea.
Como eu era antes de você mudou a
minha vida como leitora, pois enquanto eu lia eu era a Lou, uma menina rasa e
fechada em seu próprio mundo, através dos olhos da personagem fui conhecendo
novos conceitos e fui acreditando que eu poderia fazer muitas coisas na minha
vida. Agora o jeito é ler a continuação, Depois de você, e desfrutar só da companhia
da nossa abelhinha e claro ver esses dois lindos no filme que será lançado aqui
no Brasil em 16 de junho. Já estou preparando meu balde e minha caixa de lencinho.
Estava
muito ansiosa pela estreia de Mogli, talvez até um pouco mais do que a de Civil
War, mas a expectativa não estava das melhores, pensei que seria um fracasso de
bilheteria e critica, ainda bem que estava errada. A minha empolgação vinha da
nostalgia que seria assistir esse personagem tão querido e tão assistido por
mim na infância. Vê-lo ganhar uma versão live action era surreal, não seria
mais aquele desenho animado de 1967 que eu assistia na minha fita vhs verde da
minha coleção de fitas da Disney que meu avô me presenteava e que eu assistia
umas 30 vezes por dia. inclusive assisti ao clássico animado para “relembrar” e
fiquei surpresa em como ainda conseguia lembrar perfeitamente das falas, das
cenas e das músicas que eu tanto amava falar e cantar quando pequena. E mesmo
sendo tão fã as expectativas não estavam lá essas coisas.... Mais por conta do
medo de que mais uma adaptação fracassasse.
As
adaptações dos clássicos da Disney têm dado certo ultimamente. Vimos isso com
Malévola e Cinderela. A nova roupagem que estão trazendo está agradando ao público,
mas mesmo assim havia um temor causado pelas fracassadas tentativas de adaptar
Mogli anteriormente. Nenhuma das versões com atores deu certo, mas justamente
essa com apenas um ator de carne e osso deu MUITO certo.
Uma
das maiores qualidades desse filme é a fidelidade para com a obra original.
Todos os personagens que gostamos eles trouxeram de volta, não há aqueles
urubus com penteados engraçados, mas com o decorrer do filme não sentimos falta
deles, de resto estão todos lá, Bagheera continua o fiel escudeiro que age
corretamente e Balu o urso preguiçoso que só quer saber de moleza, ambos
retratados fielmente ao desenho e funcionam novamente como uma dupla que cuida
e protege o menino. Alguns personagens são retratados de uma forma diferente,
outros nem tanto, a cobra Kaa por exemplo, nesse ela tem o dobro do tamanho da
cobra original mas continua manipuladora e hipnótica. Enquanto os elefantes que
eram desastrados e divertidos no outro nesse eles surgem como figuras
endeusadas, que trazem soluções para os problemas, que ajudam na selva e que
são tratados como superiores. Nenhum animal chega perto da trupe de elefantes e
quando eles se depararam com os paquidermes devem reverencia-los. Essa deve ser
a forma que os elefantes do desenho gostariam de serem tratados já que eram
motivo de chacota com sua frustrada tentativa de organização. Aqui não há líder
enquanto no desenho havia o “coronel” aqui todos têm poder dentro do grupo e
todos são tratados como elite. Eles captaram essa essência do poder dos
grandalhões e souberam desenvolver muito bem no filme. Nota-se que os animais
mais perigosos do filme que são os elefantes, a cobra e o macaco Louie são
figuras gigantescas que marcam a imposição do seu poder. A única exceção é
Shere khan, que tem seu tamanho normal, mas é o mais temido de todos.
Nesse
o tigre não quer matar Mogli apenas por prazer, ele quer vingança pelo que os
homens fizeram com ele. Esse shere khan não é perfeito como o primeiro, ele tem
sequelas no rosto e quer que o menino pague pelo que os homens fizeram a ele. O
tigre está muito mais ameaçador nesse. A tecnologia empregada nele trouxe o
dobro de pavor pela sua presença. Aliás o filme dá um show em efeitos visuais.
Fazia tempo que não via um 3D tão bem desenvolvido, há poeira, agua e lama
voando sujando nossos óculos e há animais vindo em nossa direção, empregaram o
3D do jeito que gostamos e ele só ajudou a ampliar ainda mais a visão
espetacular dos cenários de Mogli. O filme inteiro foi filmado em estúdio,
absolutamente nada daquilo era real e ao mesmo tempo absolutamente tudo daquilo
parecia real. A equipe dos efeitos está de parabéns por isso. Os animais estão
perfeitos, todas suas expressões e movimentos são idênticos ao de animais reais.
Até o balançar de pequenas orelhas eram reais. Na cena em que há uma trégua e
todos os animais bebem do rio somos levados pelos olhos curiosos do menino lobo
a admirar todas as diferentes espécies ali. Nesse há um maior destaque para a
alcateia que é a família de Mogli, há até um lobinho que se destaca dos outros
pela amizade com o menino. Todos os filhotinhos são fofos e nos derretemos só
de olhar.
Infelizmente
não pude ver o filme legendado, gostaria muito de ouvir a voz de Idris Elba (o
vozeirão) Scarlett Johansson (a voz mais sexy e solicitada de hollywood, antes
usou a voz no filme Her) Bill Murray, Lupita Nyong’o, Ben kingsley e etc...
Tive
que me contentar com a versão dublada, que surpreendentemente não estava tão
ruim. Alguns fizeram um trabalho descente como Tiago Lacerda como o tigre,
Aline Moraes como a cobra e Tiago Abravanel como o macacão (sua voz ajudou no número
musical) ao contrário de Dan Stulbach com uma voz bem incomoda como a pantera,
parece que ele estava tentando imitar o Ben Kingsley e não trouxe algo original.
Mais quem se saiu muito bem foi Marcos Palmeira como o urso Balu, sua voz de
malandro casou perfeitamente; ele deu personalidade própria ao animal e o
deixou ainda mais engraçado. Mas ainda quero assistir com a voz maravilhosa do
Bill.
O
menino Mogli é interpretado pelo novato Neel Sethi que é carismático ao
extremo. Assim como inteligente e engraçado. Apesar da inexperiência ele
consegue se expressar bem em frente a câmera e olha que ele não tinha ninguém
atuando no set com ele, imagina a dificuldade que é para uma criança trabalhar
assim? Mas ele faz parecer bem simples.
Mogli
o menino lobo é a melhor adaptação dos clássicos da Disney feita atualmente,
ele é original mesmo sendo idêntico ao desenho. O diretor e produtor do filme é
o Jon Favreu de Homem de ferro que faz aqui um dos seus melhores trabalhos. Com
belos efeitos visuais, ótimas dublagens e uma ótima interpretação principal ele
faz qualquer um se apaixonar. Tanto os fãs quanto as crianças que estão
conhecendo essa história agora. Os números musicais são um tremendo fan
service. Quando começa a cantar Necessário, somente o necessário há um coro de
vozes no cinema. É emocionante ver gerações se encontrando e cantando juntos.
Há cenas em que as crianças podem se assustar por conta da violência e dos
sustos e também os trailers entregaram quase que todas as melhores cenas do
filme, mas QUASE, ainda há muitas surpresas para quem assiste.
Esse
foi meu primeiro contato com Lygia Fagundes Telles e confesso que à princípio
senti uma certa estranheza em seus contos. Não há dúvidas de que ela é uma
excelente contista e que apesar de lançado há muitos anos seus contos tem uma
fluidez admirável. Até as palavras mais cultas são facilmente interpretadas,
assim como as gírias do passado. Porém fiquei confusa com o encerramento de
cada conto. Eles terminavam de uma forma tão simples e aparentemente sem
significado que me perguntava se havia perdido alguma coisa. Ficava buscando na
minha mente uma interpretação para o término sutil de cada um e não sabia o que
eles realmente queriam dizer, isso se eles tinham como proposito dizer alguma
coisa, até que minhas dúvidas em relação a isso foram sanadas no mesmo livro.
No
final do livro depois que os contos se encerram há breves explicações dos
contos de Lygia, mais precisamente os que se destacaram. E olha que Lygia tinha
60 textos em mãos e teve que peneirar apenas 16 para a edição de O baile verde
lançada em 1970. Nessas explicações que parem uma espécie de resenha os autores
parecem carecer do entendimento dos desfechos dos contos assim como eu, e assim
como muitas pessoas que já leram este livro. Além dessas “resenhas” ainda há
uma carta cheia de elogios de Carlos Drummond de Andrade, seu amigo e outros
depoimentos.
Os
contos de Lygia trazem quase sempre personagens amargurados e solitários de classe
média alta. Sempre em situações que começam calmas e depois descambam para o
desespero como em A Ceia. Há uma certa atenção aos objetos da narrativa e como
eles significaram ou podem significar algo para alguém, como o famoso saxofone
que parece interligar dois contos, são eles: Apenas um saxofone e O moço do
saxofone. Apesar da felicidade aparente eles sofrem por algo ou alguém e sabem
de segredos que o outro personagem da narrativa nem desconfia como no caso do
conto As Pérolas e em O menino. Há também os contos com elementos misteriosos e
sobrenaturais, como Natal na barca e Venha ver o pôr do sol, dois que eu
particularmente gostei muito graças a esses elementos. Os anões da pensão
também soam místicos. E há também críticas sociais, como no conto que dá nome
ao livro, em Antes do Baile verde a mulher vive um dilema, ela está fantasiada
e pronta para ir para o carnaval, enquanto seu pai está convalescendo na cama. No
meio das pessoas ela mostrará uma felicidade aparente pulando carnaval enquanto
em casa há tristeza pela situação do pai. Essa é uma realidade dos brasileiros
que só vivem de aparência.
[SPOILER]
O
conto que eu mais gostei foi o último, intitulado de O menino, ele é o mais
explicativo e o que traz a traição como uma realidade que pode deixar marcas.
Nele não há coisas sobrenaturais e nem coisas que ficam no ar, não há o que se
descobrir, temos seu encerramento em mãos e ficamos perplexos com seu
resultado. O conto começa com o menino (que não possui nome) admirando
profundamente sua mãe que se arruma para ir ao cinema com ele, no caminho ele
quer exibir sua mãe para os amigos, essa mãe que ele considera a mais bela e a
melhor de todas, a mulher perfeita, tanto que quer casar com uma mulher igual a
ela quando ele crescer, sua admiração é tanta que vemos um complexo de édipo
ali. No cinema se senta um homem ao lado de sua mãe, ele não o conhece, mas a
mãe conhece muito bem e durante a sessão eles trocam carinhos e gestos de mãos,
o menino fica perplexo com a situação, até porque sua mãe é casada e então
começa a enxerga-la de outra forma, não quer mais andar de mãos dadas com ela,
não quer mais exibi-la para ninguém, ele quer chegar em casa para ficar com o
pai feio. Sua afeição é transferida graças a um ato visto por ele como
imperdoável.
Todos
os contos da autora são maravilhosos e podemos aprender com cada um, é certo
que gostei mais de uns do que de que outros, o A caçada e Um chá bem forte e
três xicaras não me empolgaram tanto na leitura quanto os outros. Mas de todos
dá para absorver alguma coisa. Se assim como eu você nunca leu nada da autora
sugiro que também comece por esse, vou encerrar com uma citação que Lygia fez
em uma entrevista e que me marcou bastante: “O escritor pode ser louco, mas não
enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desvia-lo da loucura. O escritor
pode ser corrompido, mas não corrompe. Pode ser solitário e triste e ainda sim
vai alimentar o sonho daquele que está na solidão”
O
Demolidor retorna para sua 2° temporada com bastante personalidade e sem apelar
muito para as referencias do universo Marvel como foi a temporada anterior.
Depois
de prender o rei do crime Wilson Fisk, agora o herói precisa lidar com O
justiceiro, um homem que está exterminando todos os bandidos da cidade de Hell’s
Kitchen como parte de uma vingança pois um desses grupos foram os responsáveis
por matar sua família.
Uma
das melhores coisas dessa temporada foi a a reviravolta vilanesca. Pelos
vídeos, fotos e promos que saíram antes da estreia estávamos certo de que
teríamos um vilão sem remorsos, que seria extremamente difícil de enfrentar,
falaram até que ele superaria o Fisk em termos de maldade, mas já nos primeiros
episódios vamos começando a ter certa empatia por ele. Afinal a retaliação que
ele estava fazendo tinha uma justificativa e ele não estava matando civis, ele
matava bandidos, ele levava ao pé da letra o discurso do Batman do Ben Affleck
que “bandidos são como ervas daninhas: você arranca um e surge outro” ou do
próprio discurso brasileiro: “ bandido bom é bandido morto” e nos diálogos com
o Demolidor ele deixa explicito essa posição. Em contrapartida, Matt que está
muito mais católico e bonzinho nessa temporada acha que os Bad Guys merecem uma
segunda chance. Temos a democracia conta a intolerância. E isso fica mais
evidente se levarmos em conta que Frank Castle, o Justiceiro, era militar. Olha
a ditadura implícita ai.
Apesar
de muita gente ter pensamentos como os do Matt, muitas também têm os do Frank.
Compartilho da visão do Matt (ou falta dela? Juro que o trocadilho surgiu sem
querer rs) mas confesso que algumas vezes me peguei dando razão para Frank. Até
porque dá para entender o seu lado, ele viu sua família ser massacrada. Poucas
pessoas iriam perdoar quem fez isso e seguir em frente. Essa humanidade do
“vilão” nos faz ter apreço e torcer por ele. O publico quer dar a segunda
chance que nem o próprio personagem quer. Sua relação com Karen também é um
ponto forte. (confesso que shippei)
Karen
tem muito mais espaço e relevância nessa nova temporada. Alguns críticos
disseram que poderia tirar ela que não faria falta, mas eu discordo, ela foi
muito importante nessa season. Ela foi de moça assustada no final da temporada
anterior há mulher decidida nessa. Inclusive nessa descobrimos sua real
vocação, mesmo antes dela assumir sua nova profissão já tínhamos notado para o
que ela nasceu. Na verdade era perceptível na primeira temporada também.
Enquanto ela teve destaque Foggy ficou meio apagado. Nem seus discursos no
tribunal foram tão empolgantes como ditos pelos personagens na série. É claro
que ele continua sendo o mais engraçado e sua figura é agradável de se ter na
tela mas faltou muito de sua essência aqui. Percebo que os roteiristas e
produtores de séries de TV sempre dão um jeito de tirar o bom humor dos
coadjuvantes como justificativa de seu amadurecimento, pouco a pouco eles vão
ficando mais sérios e não vejo razão disso acontecer, por mais que o cenário
seja caótico aquele cara está lá para ser o alivio cômico, isso é o que
gostamos nele. Aconteceu com o Stiles em Teen Wolf e agora está acontecendo com
Foggy.
Elden
Henson e Deborah Ann Woll continuam eficientes em seus papeis. Charlie Cox
então está melhor ainda como Matt Murdock. Ele que foi a grande revelação no
ano passado e está tremendamente bem nessa também. Nas cenas que ele perde a
audição podemos ver isso e também vemos que o tempo longe de seu personagem não
afetou em nada sua relação com ele. Charlie continua interpretando com maestria
um personagem cego e também um herói que utiliza muito bem seus aguçados
sentidos. Houve algumas cenas falhas desse tipo, como quando ele acha alguém
caído ou algum objeto mesmo sem ter havido um ruído sequer na direção do dito
cujo, mas são poucas e imperceptíveis. Como disse anteriormente ele está mais
certinho dessa vez, impede sempre os vilões de matarem, a impressão é que ele
está tentando compensar os erros do passado. Outro que está surpreendentemente
bem é Jon Bernthal, o Punisher, quem diria que aquele canastrão de The Walking
Dead conseguiria fazer um bom trabalho nesse? Essa é mais uma prova viva de que
Daredevil revela talentos ocultos de atores que não tiveram destaque
anteriormente (Charlie?) O papel caiu como uma luva para ele. Ele tem cara e
postura de vilão. Não poderiam ter escolhido ator melhor para interpreta-lo. O
que ocorreu parcialmente com Elektra, interpretada pela Élodie Yung, ela é uma
triz francesa que soa totalmente inexperiente. Tem uma beleza bem comum (isso
não é ruim, afinal queremos ver mulheres como a gente em tela) mas é charmosa.
Porem sua atuação é cheia de altos e baixos. Ela é fraca e precisa se esforçar
mais em seus próximos trabalhos. Mas não é de toda ruim, suas cenas de luta e os
momentos flashbacks de Elektra e Matt são até legais mas mostram um
relacionamento doentio. Eles são iguais em algumas coisas, mas totalmente
opostos em outras. Principalmente naquilo que eles acreditam. Elekra trouxe à
tona um lado mais aventureiro e rebelde de Matt mas ao mesmo tempo um lado
irresponsável. Ela é uma má influencia para ele e é difícil nos convencer a torcer
por eles.
Daredevil
teve mais uma excelente temporada, mesmo que inferior há primeira, muito graças
ao elemento surpresa de não saber o que esperar. Os primeiros episódios são
ótimos, a metade da série é meio arrastada, mas um esquenta para os excelentes
episódios finais. O final pode ser meio desanimador para aqueles sonhadores que
acham que tudo é para sempre, mas alguns novos rumos são necessários para
expandir o universo dos defensores e os próprios personagens em si. Tem muita
ação e porradaria, do jeito que a audiência gosta e não se limitam na
violência, em uma das cenas vê-se claramente um bandido levando um tiro na
cara, o que pode ser forte para alguns. A série tem personalidade própria, bons
confrontos, ótimos diálogos, boas atuações e participações de personagens
anteriores. (Um em particular que fez todos pirarem) continua sendo sim a
melhor série de herói da atualidade e que venha a próxima temporada.... Já
estamos com saudade.
No
fundo nós já sabíamos o que esperar de Batman VS Superman. Com Zack Snyder na
direção era de se imaginar que não viríamos grandes coisas em termos de
roteiro, já que ele é o cara dos efeitos visuais. Alguns fãs ficaram tão
decepcionados com ele no comando que um deles criou uma petição para tirá-lo do
comando de A liga da justiça parte 1 e 2, para os quais ele já foi contratado.
Deixando
as polemica de lado (por hora) Batman VS Superman: Dawn of Justice começa na
seqüência desastrosa de luta do primeiro filme Man of steel onde Bruce Wayne vê
sua cidade sendo destruída pelo Superman e no desenrolar das ações, Batman e
ele acabam se enfrentando.
Não
há muito que “sinopsar” do filme. Quem leu os quadrinhos já sabe o que verá e
quem não leu não está nem ai, só querem ver os maiores heróis da DC se
enfrentando. Era isso o que eu queria ver também, mas queria uma razão
plausível para esse enfrentamento, um atrito realmente necessário, e uma junção
de heróis mais coerente ainda, porém não encontrei isso...
É
difícil escolher um lado quando ambos são tão humanizados. Superman acha que
está agindo corretamente ao proteger a população, independente de como
aconteça, se é destruindo uma metrópole, invadindo um país, seja lá como for.
Neste ele está mais messiânico do que o anterior, é tratado explicitamente como
Jesus Cristo, que veio há terra para salvar a todos. Essa comparação pode
incomodar um pouco os fanáticos religiosos, mas para os cristãos normais não há
nada que venha ferir o cristianismo, só faz saber o quão Hollywood é exagerada
e que por mais que as pessoas não admitam elas querem uma figura salvadora para
confiar. Superman não mata, não se ira e tenta ser perfeito em todo o tempo,
mas até Jesus Cristo teve seus medos e isso eventualmente acontece para o
herói. O Filme sustenta essa ideologia até o final, pois há uma cena especifica
(e que seria uma ótima surpresa se não tivesse tomado um baita spoiler em uma
rede social) que usa o suspense para indicar algo que também aconteceu com o
filho de Deus.
Por
outro lado temos Bruce Wayne, ou melhor, o Batman mais nervoso do cinema. Esqueçam
a compostura que os Batmans anteriores tiveram, esse parte para a porradaria e
pensa muito mais nas pessoas ao redor do que o Homem de aço, inclusive em uma
cena irritante em que ao invés de ouvir o outro só quer saber de bater. Sua
marca é um pesadelo para os bandidos e ele é um badboy consciente. Apesar da
sua motivação de pegar seu rival parecer uma briguinha idiota de colegas de
classe, não podemos negar que o filme é exclusivamente dele. Ele é tão
onipresente que às vezes esquecemos o outro herói, por vezes nos pegamos
concordando com sua política da boa vizinhança e quando percebemos já
escolhemos um lado.
Quando
anunciaram Ben Affleck como Batman não fiquei temerosa e nem enfurecida como
todas as pessoas na internet. Eu sabia que ele se sairia bem. Bruce Wayne pode
ter alguns traumas, mas nada que possa exigir uma grande atuação, ainda mais
como Batman. Até Christian Bale que é indiscutivelmente um excelente ator não
conseguiu fazer muita coisa com o seu Batman. O homem morcego é uma casca, uma
pessoa fria e concentrada, que apesar da voz grossa (nesse bem mais superficial
e ridícula) um homem calmo e meticuloso. Logo constatei que Ben com suas
limitações daria um ótimo Batman. E ele realmente está bem. Nada grandioso, até
porque nesse filme as atuações também não são o ponto forte.
Henry
Cavill não é um mal ator, mas nesse está no piloto automático. Tenta fazer cara
de mau, mas simplesmente não funciona, não engata também como o jornalista
Clark Kent. Gal Gardot é linda e elegante, mas nada dá para extrair de sua
atuação como mulher maravilha. Sua expressão é sempre a mesma, como se nada de
tão grave estivesse acontecendo e ela está ali só observando. Me desapontei muito
com ela pois achei que seria o melhor personagem. Jesse Eisenberg está muito bem,
seria o melhor do elenco se não fosse mais um personagem com motivações
ridículas. Gosto dele como ator, mesmo que ele interprete o mesmo tipo todas às
vezes. Ele é sempre o garoto anti social super inteligente. Nesse ele volta a
interpretar esse papel, mas com muitas outras camadas. Seus tiques nervosos, sua
excentricidade e seu humor negro estão muito melhores nesse. Porém sua vontade
de que role uma treta entre os heróis é de um moleque mimado que sofreu na mão
do pai rico e quer que aquele Deus que não o livrou dele sofra sua queda e seja
desmitificado por intermédio de seu representante na terra. Aquela empatia pelo
vilão (coisa que temos até demais) acaba depois de uma ação horrível do
personagem. As melhores atuações ficam a cargo dos veteranos, Jeremy Irons como
o Alfred (sua química com Affleck é perfeita) Laurence Fishburne como Perry
White, Diane Lane como Martha Kent e Amy Adams como Lois Lane. Todos esses tem
bons (e poucos) momentos cômicos. É como uma gota de água no inferno, só alivia
a tensão do filme por alguns segundos. Lois está muito mais como “a namorada
indefesa” nesse do que no anterior. Sempre fazendo besteira para que o namorado
venha salva-la. Ao ponto de interrompê-lo na maior treta do filme. Isso incomodou
bastante, mas não corrompeu a afeição pela personagem graças a boa atuação de
Amy, que não combina nada com Henry Cavill e mais parece a irmã mais velha do
que a namorada.
Batman
VS Superman é um filme extremamente escuro e que se garante apenas no visual e
mesmo assim por vezes o diretor pecou nisso. E olha que esse é o forte dele (ou
seria a única qualidade dele?) já que só faz filmes carregados de efeitos, como
300 e o péssimo sucker punch. Watchmen, também dele, em mãos certas daria um
ótimo filme, assim como foi com esse. O 3D estava horrível, sem nada de
impressionante e tremido em algumas cenas (pelo menos na sala que assisti) sobre
o roteiro, a impressão é que os roteiristas David S. Goyer (Batman O Cavaleiro
das trevas) e Chris Terrio (Argo, com direção do Ben) foram impedidos
criativamente de fazer um bom trabalho ou assim como Zack não conheciam muito
bem o material que tinham em mãos, parece que não são leitores de quadrinhos e
não pesquisaram esse universo. Diferente de Joss Whedon, diretor de Os
Vingadores, que parecia saber exatamente o que estava fazendo, trabalhou muito
bem com o elenco e deu importância igual para cada um, o que também não
acontece aqui. A mulher maravilha é deixada de lado e só aparece para seduzir
ou lutar na hora certa e o Superman deixa de ser valorizado em seu próprio
filme de continuação e ele vira o filme do Batman. É parece que uma nova equipe
deve ser contratada urgentemente para que o mais legal do filme não seja apenas
as brigas, brigas essas que demoram a acontecer e são prolongadas de forma
desnecessária. Para piorar os trezentos trailers abafaram todos os momentos de
surpresa do filme. O que mais vale a pena é ver a introdução da liga e a
apresentação dos outros heróis pelos olhos da decepcionante Mulher maravilha.