sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Review filme Blade Runner 2049


          Continuação do filme cult de 1982, esse Blade Runner 2049 dá sequencia há esse universo com fidelidade e paixão ao filme que lhe deu passagem. Ele está com 97% de aprovação no Rotten, mas a bilheteria não está das melhores, enquanto os fãs do primeiro filme se mostram satisfeitos com ele, os novos estão indo desavisados para o cinema e se decepcionando, isso se dá por dois problemas: Marketing errado e um publico que não está preparado para a mente de Denis Villeneuve.
            K é um modelo novo de replicante que tem o trabalho de localizar e aposentar modelos antigos que ainda existem, em um desses trabalhos ele localiza uma caixa com restos mortais e segredos do passado de Deckard.
            O filme já começa com uma baita referencia do filme anterior, com o grande e expressivo olho, que em 1982 era do ator Rutger Hauer, que vivia o vilão do primeiro longa. E referências é o que não vai faltar nesse aqui, e elas não funcionam somente como atrativos para os fãs mais nostálgicos, elas ganham um nova roupagem e nos fazem revisita-lo de uma forma bastante original. Inclusive a icônica cena da chuva é repetida aqui duas vezes, na segunda (que acontece no final) a chuva é substituída por outro elemento natural, dessa vez mais gelado. A aparição de antigos personagens também faz parte desse pacote, um deles Deckard que não poderia faltar, afinal ele continua sendo o personagem mais importante de Blade Runner.
           Harrison Ford reprisa seu papel e volta melhor do que na primeira vez, diferente de seus outros reboots em filmes como Star Wars e Indiana Jones, aqui ele está mais esforçado e a vontade em seu papel. Ele continua sendo o personagem mais importante, pois tudo parte dele, a nova investigação, a busca por seus segredos, o motivo de sua aposentadoria, tudo isso precisa ser descoberto por K, personagem de Ryan Gosling, que circula bem na linha tênue entre traspor suas emoções mais humanas e segurá-las ao Maximo. Ryan está se tornando cada vez mais um dos melhores atores dessa geração. E um dos mais memoráveis também, graças às suas ótimas escolhas de projetos.
             Todo o elenco está muito bem, Robin Wright (maravilhosa também em House of Cards e Mulher Maravilha) Dave Bautista, Ana de Armas, Mackenzie Davis, Sylvia Hoeks e o vilão é interpretado por Jared Leto, que está bem, mas que só tem duas cenas e não faz nada demais nelas, na verdade ele está bem “Leto” tentando alcançar sempre um patamar mais alto, mas que dessa vez não tem muito sucesso, assim como seu coringa em Esquadrão suicida. 


          Visualmente o filme é impecável, Blade Runner sempre nos encantou quanto a isso, desde 1982 tínhamos elementos visuais muito bem feitos. As cores misturadas às luzes, os hologramas, as propagandas flutuantes, desde aquela época isso existia (e de forma bem executada) e agora só aprimoraram, o tornando (como disseram) uma experiência cinematográfica, apenas discordo em um detalhe: ele sempre foi, desde o primeiro. Os efeitos de ponta aplicados na personagem de Ana Armas (inclusive em uma cena de sexo a 3 sensacional, mas que poderia ter sido mais longa) é algo que se não concorrer aos prêmios técnicos do Oscar resultará em uma das maiores injustiças da premiação.
             E por falar em injustiça, o filme não está agradando ao grande publico, os trailers estão o vendendo como um filme de ação repleto de explosões e correria, por isso as pessoas estão indo para os cinemas esperando ver algo de Michael Bay e não do Villeneuve. O filme tem duas horas e quarenta de duração e por isso a narrativa é mais lenta que a do primeiro, mas quem gosta do primeiro já sabe o que esperar, eles sabem que esses filmes são ficção cientifica pura e não um filme de ação genérico. Prefiro que as pessoas saiam do cinema reclamando disso do que se apreciassem porque fizeram algo mais adequado com os filmes de correria que temos hoje. Praticamente todas as pessoas da minha sessão saíram reclamando, um grupo inteiro de amigos saiu na metade do filme, as pessoas não estavam nem dando chance para o que o filme queria dizer, eles não queriam entender a filosofia por trás de falar de vida através do olhar de um replicante, eles queriam ver ação sem conteúdo do começo ao fim e não encontraram isso.
          Villeneuve foi uma sabia escolha para dirigir, pois ele é visionário e criativo, ele consegue trazer peças antigas para um nojo jogo sem desgasta-las, assim como pegou todos os clichês de filmes de invasão alienígena jogou no lixo e fez um gênero novo com A Chegada.
              Portanto, Blade Runner 2049 foi feito para um publico que é fã, para um publico que gostou de A chegada e que gosta de pensar e refletir sobre as questões que o filme aborda, pessoas que já estão acostumadas a não ter todas as repostas sobre o filme nas mãos e que apesar de ter uma narrativa lenta, ela não é arrastada, ela é instigante, nostálgica e inovadora. Que nos engana com seu plot twist e pode atrair uma nova audiência, infelizmente ele está sofrendo do mesmo mal que seu antecessor e o publico por não entender não estão apreciando, mas assim como o primeiro, vamos aguardar alguns anos até ele virar Cult.

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